Viagem de Estudo: hora do queijo da Estrela

Ouvir Maria Natália Lopes contar que desde que estava na barriga da mãe já fazia queijos, foi um encontro humano surpreendente. Natália vive na cidade de Seia ao Norte de Portugal com a família: marido e dois filhos. Sua mãe já fazia queijos.

O marido pastorea ovelhas à moda antiga, levando o rebanho para os pastos verdes no alto da Serra da Estrela por dois meses no verão. No dia-a-dia, inicia a lida por volta das 5 da manhã para ter leite fresco para a produção de queijo com certificado e selo da Serra da Estrela.  O empreendimento familiar é  referencia e premiado (foto: Natália e a galeria dos troféus).

Os filhos ajudam na comercialização, mas “não vendemos para supermercado”, enfatiza Natália durante sua demonstração de como preparar queijo de ovelha artesanal. A venda direta aos clientes enche de orgulho a queijeira Natália. “O que me deixa satisfeita é quando o cliente volta aqui ou liga dizendo que o meu, sim, é o verdadeiro queijo da Estrela”.

Esse sorriso se desfaz quando Natália começa a contar que o serviço de pastoreio, criação de ovelhas e fabricação artesanal de queijos está a desvanecer. “Não há quem queira trabalhar nisso”, diz ela com tristeza na voz e uma resignação disfarçada. “Não há pessoas que queiram aprender, estamos sem pastores”, completa.

Há 30 anos as mãos de Natália fazem queijo. Primeiro numa casa de pedra, numa quinta em que não havia luz elétrica. “Só fazíamos pouco queijo”, enfatizando que a tecnologia e os novos materiais vieram facilitar a higiene e o processo de fabrico. De seus tempos de menina ainda lembra que por conta do inverno com muita neve vivia em dois sitios: Santiago e Sabugueiro. “Andávamos com as tralhas às costas”, relembrando o quão duro era.

Natalia na prensa de queijos

Com orgulho, a quejeira Natália demonstrou a professores e alunos em viagem de estudo o manuseio do leite, como usar a forma e a prensa e como acondicionar na câmara fria os queijos produzidos. São de 30 a 35 dias para que o queijo esteja pronto para comercialização. Durante esse tempo de cura é preciso virar o queijo de oito em oito dias.

Para conhecer mais:

Quinta do Sarrodelo
Rua da Escola, Santiago
Seia, Portugal
238 313 187 e 963 923 802

 

Uma opinião sobre “Viagem de Estudo: hora do queijo da Estrela

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