Buena Vista Social Club – a la luna yo me voy

Pois estava eu bem sentada, movimentando meu corpo ao ritmo da música cubana, quando o guitarrista Eliades Ochoa diz “esse negócio de mudanças climáticas está feio, é um problema, fiz essa música pensando numa solução” e saltou a voz para A La Luna Me Voy y sólo volveré a la Tierra cuando esté de vacaciones. O vídeo é do show em Roma há dois anos, pois ainda não consegui recuperar o som que gravei no meu celular.

 

Um artista Grammy, aos 69 anos, falar assim tão abertamente de mudanças climáticas para uma plateia multicultural, que vive nos Estados Unidos, deve mesmo estar muito seguro de si e muito preocupado. Eliades Ochoa acompanha a orquestra Buena Vista Social Club na Adios Tour que já percorreu o mundo numa despedida e ao mesmo tempo numa homenagem à velha guarda. A orquestra fez show ao vivo em San Diego (CA), em 20 de agosto de 2015.

Música cubana de raiz, Buena Vista Social Club mostra a força do talento e aponta a permanência no tempo como legado artístico que faz bem à alma. A presença intergeracional (músicos e artistas de várias gerações), o colorido das roupas (terno azul, vestido abóbora, terno branco contrastando com camisa preta) e a diversidade sonora e de instrumentos no palco fazem da Buena Vista um espetáculo singular. Além é claro do show multimídia com fotos e pequenos textos sobre aqueles integrantes fundadores que já partiram, mas que continuam presentes em suas canções e ritmos representados continuamente.

Fui apresentada a esse espetáculo por minha filha a quem agradeço publicamente o convite. Eu saí do show encantada! Para os que querem conhecer um pouco mais sobre a trajetória da Buena Vista e do envolvimento de Eliades Ochoa com a orquestra, o documentário de 1999 de Ry Cooder e  Wim Wenders  é boa pedida. O filme está disponível em diversas plataformas para download ou compra e aparece bem no ranking Rotten Tomatoes.

 
La Luna (encontrei a letra numa expansão de texto no YouTube)

Quiero irme a La Luna
ya tomé mis decisiones, 
voy a vivir a La Luna
ya tomé mis decisiones.

Que pronto volveré a La Tierra
cuando esté de vacaciones,
sólo volveré a La Tierra
cuando esté de vacaciones.

Eeeeh eh eh
a La Luna yo me voy.
Ehhh me voy me voy
a La Luna yo me voy.

Me llevo para La Luna
la alegría santiaguera,
me llevo para La Luna
la alegría santiaguera, 
el amor de mi guajira 
y el verde de mis palmeras,
el amor de mi guajira 
y el verde de mis palmeras.

Eeeh me voy, me voy ,
A La Luna yo me voy.
Me voy voy, me voy me voy
a La Luna. 
A La Luna yo me voy.

 

Paris Conference (vii)

O que trouxe para casa e balanço final

Além da experiência de divulgar o projeto do jogo Aventura Climática©, participar da Conferência permitiu perceber que nosso trabalho está engajado e em sintonia com os estudos sobre Climate Change e as transformações pelas quais vamos atravessar pelos próximos 30 anos. Quero ressaltar algumas coisas que trouxe para casa comigo.

The Guardian Conference1A primeira delas foi estar presente a uma audiência de mais de 200 cientistas e assistir todos, dentre eles eu e meu amigo, levantarem a mão quando perguntados se concordavam com a campanha do The Guardian, em parceria com a ONG 350.org, para desinvestimento em combustíveis fósseis. A campanha tem por objetivo convencer investidores a não colocarem dinheiro na economia marrom e sim na economia verde e na economia azul. A campanha vem ganhando mundo e contaminando as decisões de investidores jovens, já recebeu apoio formal das Nações Unidas e, nos Estados Unidos, vem ganhando terreno a partir dos protestos dos universitários para que as universidades desvinculem seus fundos do carbono. A Conferência abriu espaço para um debate com jornalistas sobre a campanha e o salão lotou na hora do almoço. As questões de escolha de pauta e do perigo de se tornar tendencioso em cobertura jornalística foram os elementos chaves do debate.

A outra coisa que trouxe para casa foram os indicativos sobre Política Global do Clima. Um dos indicativos é que o limite de 2°C já não é possível. Se a comunidade política trabalha com esse número para poder avançar, a comunidade científica já está trabalhando com high-end cenários e situações mais extremas após 2050. A superfície da Terra já aqueceu cerca de 1°C e as reduções de emissão de carbono não avançam na proporção necessária para estabilizar o aumento da temperatura. Outro indicativo é que o IPCC mudará a forma como entregará relatórios à comunidade política. Alguns autores líderes apontam a necessidade de relatórios de curto prazo e com abrangência de mais setores. Outros deixam no ar que é preciso mais engajamento da Ciência na Política. O terceiro indicativo é que Política do Clima vai viver nos próximos anos um florescer de experiências locais, comunitárias, circunscritas a um determinado espaço geográfico. Os grandes acordos globais continuam sendo guarda-chuvas, mas as transformações nascerão dentro das municipalidades e serão resultados da capacidade de articulação de cidadãos e comunidade política.

O time de jornalistas produziu uma newsletter com um balanço final da Conferência.

O website oficial da Conferência traz os links e os documentos finais.