Lixo eletrônico: comparativo entre Brasil, EUA e Europa

Escrevi ensaio comparando o estágio em que se encontra a política sobre e-lixo no Brasil (a partir da nova Política de Resíduos Sólidos), nos Estados Unidos e na Europa. O ensaio está publicado na revista Universitas: Gestão e TI do UniCEUB com o título de

Eletrônicos: do lixo ao lucro. A escassez de matéria prima para a contínua produção de equipamentos eletrônicos e o peso para a reciclagem pós-consumo

Para ler na íntegra clique no link – texto completo.

http://www.publicacoesacademicas.uniceub.br/index.php/gti/article/view/1576

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Histórias de cobertura Rio+20: observações e análise

Acordei hoje com vontade de escrever um consolidado sobre minhas observações e a análise a que elas me conduzem. Aqui no Rio de Janeiro (RJ), cobrindo a Rio +20, penso que houve um deslocamento de posicionamento e de liderança em relação ao passado. Nem lixo não é mais lixo: tudo é resíduo e/ou insumo para outra coisa.

As observações resultam no meu olhar sobre a Rio +20 a partir dos quatro centros de concentração de atividades (Cúpula dos Povos, Espaço Humanidade, Pier Mauá e Parque dos Atletas). E também do que a grande imprensa disse sobre a Conferência da ONU no Riocentro (a Agência de Notícias UniCEUB não obteve credenciamento por não se veículo comercial, apesar do pedido feito em maio).

A posição política presente na Rio 92 não se repete na Rio +20. Porém, em compensação, outros campos de atuação incorporaram o discurso da sustentabilidade e do respeito ao meio-ambiente e demonstraram nos espaços de exposição que lhes foi reservado que a Rio +40 é viável, ou seja, que o mundo ainda vai existir e será melhor para se viver.

Fica parecendo um discurso otimista, mas os Armazéns do Pier Mauá, o Espaço Humanidade,  as várias tendas da Cúpula dos Povos e os imensos estandes no Parque dos Atletas demonstram, literalmente, que a aplicabilidade de tecnologias e o uso do engenho e da criatividade humana já trouxeram o discurso para a prática. Falta sair da aplicabilidade individual e grupal para o coletivo, primeiros nas cidades pequenas ou grandes e depois para a coletividade humana.

São inúmeras as iniciativas quanto ao descarte adequado de materiais. Quaisquer que sejam: óleo de cozinha, material orgânico, plásticos, latas, papel. Também são inúmeras as iniciativas quanto à geração de energia seja para reduzir o consumo usando as mesmas fontes ora existentes seja para incorporar novos modos de geração de baixo impacto como a solar e até o telhado verde.

E não pára por aí. Os modelos de bioconstrução atendem a qualquer gosto e bolso: casa de plástico, casa de bambu, casa de contêiner, casa com tijolos e cerâmicas de baixo custo. Percorrendo os estandes das empresas que encontram inovação com o apoio do governo federal percebe-se o alinhamento com a necessidade da indústria de aproveitamento total de recursos e desperdício zero. Até a fabricação de resinas para produção de estruturas e mobiliário já é oriunda de outros reciclados em fim de vida útil.

O agronegócio não ficou de fora. Montou espaço próprio no Pier Mauá e lá demonstrou a importância das sementes modificadas como ganho de produtividade para alimentar um contingente de 9 bilhões de seres humanos em 30 anos. Mostrou também a iniciativa Projeto Bioma para que terras produtivas se alinhem com as demandas do Código Florestal Brasileiro a partir da idéia de que as unidades produtivas (nome bonito para o termo fazenda) tenham novo desenho físico, inclusive incorporando a preservação da água, dos córregos e das nascentes. A preocupação do recurso finito da água é visível uma vez que a distribuição do recurso pelo território brasileiro não é equânime e a poluição de água doce está muito presente nos rios, lagos e lagoas. Agricultura não se faz sem água e o recurso escasso impõe tópicos como conservação, uso racional e reutilização. Reutilização e recolhimento de água de chuvas estão presentes também nas iniciativas da indústria (automotiva e de refrigerante) e na fabricação de calhas e cisternas adequadas para qualquer tipo de construção.

Educação é o mais que se viu por aqui. Educação informal sobre ciência, preservação, conservação e sustentabilidade. A exposição Humanidade2012 visitada por mais de 200 mil pessoas buscou despertar a consciência de que o ser humano é uma peça da humanidade e que não há diferença entre os daqui e os de lá e por isso urge pôr fim às desigualdades sociais e econômicas que levam uns a condições degradantes de vida e outros ao esbanjamento. O fim da desigualdade é o discurso de posicionamento da indústria, que financiou e promoveu o Espaço Humanidade2012. O posicionamento está escrito em documento distribuído a todos os participantes e visitantes.

Educação sobre o humano também esteve todo o tempo no Pier Mauá e na Cúpula dos Povos. Em diversos estandes crianças brincavam com jogos tradicionais como jogo da memória ou jogos de computador. Respondiam a quizes em telas planas de 32 polegadas, utilizavam Ipads e totens ou estações em touch screen para se informarem. Também punham a mão na massa literalmente, plantando árvores e aprendendo a fazer hortas caseiras. Só no Pier Mauá mais de dois mil e 500 estudantes de escolas públicas municipais e estaduais do Rio de Janeiro visitaram diariamente os Armazéns. Nunca aprendi tanto sobre biomas brasileiros. As exposições estavam belíssimas. Aos meus olhos ficou marcada a importância da comunicação visual e um conteúdo de qualidade na hora de comunicar. Aprendizagem interativa, visualmente agradável.

Educação, tecnologia, inovação estão a postos. Prefeitos de várias cidades tomaram a iniciativa de trazer para seus territórios compromissos concretos de redução de emissão de gases de efeito estufa. Sei que são somente três cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba) num mundo de mais de cinco mil municípios, o que torna o percentual estatisticamente descartado. Mas é um começo. Assim como é positiva a decisão da Assembléia da ONU de estabelecer objetivos de desenvolvimento sustentável mesmo que seja lá para 2014, o que outros analistas consideram de menor monta no âmbito do documento oficial. Pensar que será possível estabelecer Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para todos os 183 países da ONU e que um PNUMA fortalecido (ainda não virou Agência) poderá monitorar a efetividade deles aponta um panorama de mais concretude para a sustentabilidade, o que reforça que a Rio+40 é viável.

O que vi me mostra que outros atores sociais estão no jogo e que o ator político é somente mais um, já não o líder, num conjunto de forças que estarão sempre em conflito: as demandas sociais, o peso econômico e a luta pela preservação e conservação dos recursos naturais. Resta saber quem terá a reitoria do processo, como será feita essa reitoria e qual será o equilíbrio possível entre essas forças.

Em alguns momentos penso que nos próximos 20 anos os ingredientes da Política, em sua essência filosófica, é que mostrarão se vamos avançar mais rápido ou mais lento. Também, penso que eles precisarão ser reavivados, engrandecidos, e mais ativos. Se o político marca a Rio 92, outros campos marcam a Rio +20. Para a Rio +40, a Política precisa entrar em cena para, de verdade, concretizar e efetivar menos desigualdade e desastres, menos fome e mais distribuição equânime de recursos e de benesses para que seres humanos tenham vida digna ao redor  do planeta.

De uma coisa estou convencida: a Rio +20 mostra que sustentabilidade e ecoeficiência a esta altura é pressuposto. O negócio agora é fazer escolhas, ser responsável pela conseqüências das escolhas e enfrentar o difícil e eterno movimento de administrar conflitos.