Dez anos para proteger as pessoas dos efeitos das mudanças climáticas em San Diego

Nada mais revigorante do que ouvir nova apresentação de Dr. V. “Ram”. E ele continua firme em sua missão de comunicar os efeitos do clima e influenciar políticos como um cientista ativista. Hoje, dia 29 de setembro, ele esteve na Comissão de Meio-Ambiente da Câmara Municipal de San Diego (CA) para divulgar um conjunto de 5 medidas locais para proteger as pessoas e 10 soluções globais para evitar o risco de tornar o clima catastrófico, quando o aquecimento for maior que 3 graus Celsius. Durante os 20 minutos que lhe foram assignados, Dr. V. “Ram” fez questão de enfatizar que é necessário proteger as pessoas, os idosos, e os mais pobres dos efeitos da elevação da temperatura.

If you don’t take it personally, this will never get solved (Se você não tomar como pessoal, isso nunca será resolvido)!

V. Ram, Dr. Veerabhadran Ramanathan, cientista do <em>Scripps Institute of Oceanograph</em> da Universidade da Califórnia – San Diego (UCSD)

Foi esse o apelo que ele fez aos políticos da Comissão de Meio Ambiente. Foi duro, ainda que sua fala seja sempre mansa. “Temos 10 anos para tomar medidas para proteger os cidadãos”, disse ele listando o que deve ser contemplado para minimizar os efeitos do aumento da temperatura.

Em relação a San Diego, V. “Ram” enfatizou a necessidade de cuidar de que não falte água e de considerar a dessalinização como uma opção, ainda que seja oneroso. Disse também que a cidade deve se preocupar em instalar medidas que assegurem o esfriamento de prédios e edificações, deve aumentar a cobertura de vegetação para gerar sombra e monitorar a recuperação do solo e das florestas tanto da seca prolongada como dos incêndios florestais. Algumas dessas medidas estão contempladas no Climate Action Plan da cidade, mas os progressos são lentos.

The climate change mitigation train has already left the station (O trem da mitigação das mudanças climáticas já deixou a estação).

Outra declaração utilizada por Dr. V. “Ram”. Dessa vez para enfatizar que está na hora de começar a se preocupar com medidas globais e coletivas para evitar que o aumento de temperatura chegue ao risco de ameaçar a existência humana, o que poderia acontecer se a temperatura chegasse acima de 4 graus Celsius.

O Comitê para Prevenir Mudança Climática Extrema, do qual Dr. V. “Ram” faz parte, lançou o Relatório – Well Under 2 Degrees Celsius – nesse mês de setembro, o qual aponta 10 medidas para reduzir emissões até 2030 e para descarbonizar o sistema de energia até 2050.Climate 10 measures Dr. RAM

No Sumário Executivo, os autores do relatório Well Under 2 Degrees afirmam que o clima já está aquecido em 1 grau Celsius e que a seguir a tendência atual chegará a 1.5 nos próximos 15 anos, chegando a 2 graus em 2050, tendo 50% de probabilidade de atingir 4 graus em 2100.

Escrevi post sobre Dr. V. “Ram” quando ele fez palestra sobre o trabalho desenvolvido junto ao Vaticano para a publicação da encíclica Laudato Si’, divulgada por Papa Francisco, em 2015, e sobre sua assessoria ao governo do estado da California.

Anúncios

Clima, carbono e filmes. Faça as contas!

Literatura engajada, só que dessa vez em imagens, em forma de documentário. Há de haver outras empresas, mas o negócio de filme engajado tem futuro. A companhia PF Pictures tem como negócio fazer filmes encomendados com a missão de serem instrumentos para mudança social [… film as a toll for social change]. A lista já é considerável, e dentre as encomendas, há os documentários que expõe a força do movimento global encabeçado por Bill McKibben, fundador da ONG internacioanal 350.org e outros think tanks que advocam por soluções para o clima.

Nos últimos tempos assisti a três documentários produzidos pela PF Pictures: Do the Match (2013), Disruption (2014) e The Age of Consequences (2016). O primeiro – Faça as Contas – expõe as palestras que McKibben realizou nos Estados Unidos para a campanha Fossil Free, que conclama as pessoas e as instituições a desinvestirem seus recursos das empresas de gás e petróleo. Essa campanha foi depois encabeçada pelo jornal The Guardian, em 2014, com o nome Keep it in the ground. O segundo – Distúrbios – mostra os bastidores da organização para a Marcha Global pelo Clima que ocorreu no mundo em 2014. O terceiro – Tempo de Consequências, numa tradução livre, aborda como militares norte-americanos entendem mudanças climáticas como questão de segurança nacional.

De todos, em minha opinião, o mais original é Do the Math. Para ver o documentário clique na imagem ao final do post.

O argumento tem origem no artigo que Bill Mckibben escreveu para a revista Rolling Stone, em julho de 2012, com o título – Global Warming’s Terrifying New Math. Nesse artigo, Mckibben traça um paralelo entre 3 números que são significativos para ação em favor do clima.  3 numbers - McKibbenSão eles: dois graus Celsius, limite de aumento da temperatura que todos os países concordam, desde 2009, em manter como forma de preservar a vida; 556 gigatoneladas, limite de concentração de CO2 na atmosfera para que a temperatura permaneça em dois graus Celcius; e 2,795 gigatoneladas, limite das reservas de petróleo que as maiores companhias possuem globalmente. Esse argumento, brilhantemente construído, serve de base para as campanhas Fossil Free e Keep it in the ground. E também serve de base para mobilizar pessoas para a descarbonização da economia pois o limite 556 gigatoneladas se esgota em 15 anos, ou seja, em 2030. No âmbito do Acordo de Paris, 2030 também é um ano mágico, pois é o tempo máximo que os países acordaram para reduzir suas emissões.