Jogo Aventura Climática: entrevista na rádio Movimento PT

Numa conversa descontraída com Isabel Prata da Livraria Mais e Vitor Machado da Rádio Movimento PT, falamos sobre os serviços da natureza sobre o clima e as questões das alterações climáticas. O jogo de tabuleiro Aventura Climática ganhou espaço para mostrar seus princípios e serviu de canal de comunicação para falar sobre clima e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Gravado em direto (ao vivo), a conversa pode ser ouvida e assistida entre 4:59 e 41:39 minutos do vídeo. Há boa música antes e depois. Para compreender um pouco sobre o jogo, escrevi uma sinopse que serviu de base para a conversa.

Sinopse: 

Aventura Climática® é um jogo de tabuleiro cooperativo em que o Peão e sua equipa devem manter o equilíbrio de seus carbonos durante sua aventura pela atmosfera.

A dinâmica do jogo tem como premissa:

  • A cooperação como instrumento para enfrentar desafios e encontrar soluções para as questões das alterações climáticas
  • O indivíduo como sujeito do problema e da solução para as questões das alterações climáticas, atuando individual e coletivamente
  • O efeito de estufa e a importância dos serviços da natureza de regulação do clima e produção de oxigênio

O jogo é constituído de um tripé:

  • Ciência do Clima – efeito de estufa, fonte e sumidouro de carbono, capacidade de suporte (concentração de carbono na atmosfera própria para a manutenção da vida)
  • Ética do Clima – cada um deve cuidar de absorver o que emite (responsabilidade moral e justiça distributiva), e necessidade de avaliação e decisão coletiva sobre manutenção da vida
  • Educação do Clima – Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e os parâmetros do Artigo 6 da Convenção do Clima

O Aventura Climática® é um jogo de cartas e as perguntas estão focadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O protótipo acadêmico conta com 42 cartas de perguntas e respostas sobre os conteúdos de nove ODS, o do clima que é o ODS #13 e outros 8 que se referem a água, energia, cidades, solo, consumo, e trabalho decente. As cartas podem ser adaptadas para atender a diferentes públicos e a diferentes conteúdos locais.

O referencial teórico do jogo Aventura Climática® está no âmbito da:

  • Humanidades, com o autor Johan Huizinga que, em 1933, aponta que o homem é lúdico e que o jogo é um elemento da cultura. Pois, para ele o divertimento é «uma categoria absolutamente primária da vida», uma vez que é «no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve».
  • Comunicação, com o autor Marshall McLuhan que, em 1964, aponta que o meio (veículo ou canal) de comunicação é o que vincula o homem ao homem. Pois «os jogos são meios de comunicação interpessoal […] e são «um tradutor de experiências, […] pois eles deslocam a experiência conhecida para novas formas, […]». Para o autor, o ato de jogar implica um interjogar, um toma-lá-dá-cá, um diálogo, ou seja, um momento para promover a conversação entre os participantes.

Aventura Climática®: um jogo de estratégia para manter o efeito de estufa em equilíbrio tem direitos de autor registrado em Lisboa, Portugal (Inspeção-Geral de Atividades Culturais da Direção de Serviços de Propriedade Intelectual – IGAC – DSPI).

E marca registra no Brasil, pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial.

 

Viagem de Estudo ao Norte de Portugal: Clima e Sustentabilidade

Durante dois dias estivemos em viagem de estudo ao Norte de Portugal, mais precisamente às cidades de Covilhã, Peso da Régua e Vila Real (17 e 18 de maio 2019). Juntei-me aos colegas da 10a. edição e aos professores do programa doutoral em Alterações Climáticas e Política de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Lisboa e Nova de Lisboa para conhecer de perto práticas sustentáveis de produção de blocos para a construção civil, a fabricação artesanal de queijo de ovelha e o manejo das vinhas frente aos impactos das mudanças no clima.

Em Covilhã, estivemos na Universidade da Beira Interior (UBI) e conhecemos o processo de fabrico e teste de blocos para construção (eCO2blocks – eCO2cement) que são feitos com resíduos no Laboratório da Engenharia (C MADE). Os avanços na produção de blocos para construção foram explicados pelo Prof. João Castro Gomes (foto de terno escuro) que enfatizou o uso de resíduos industriais, a absorção de dióxido de carbono e a dispensa no uso de água para sua produção, em comparação ao cimento Portland. O laboratório funciona no prédio parcialmente restaurado da antiga fábrica de lã. Desde o século XII, Covilhã foi o centro da indústria têxtil e da Rota da Lã em Portugal.

Entre Covilhã e a nossa próxima parada, cruzamos o Parque Natural da Serra da Estrela, passamos pelo ponto mais alto a 1.993 metros (6.539 pés) e observamos os vestígios de glaciação.

No caminho, paramos para ver a escultura em rocha granítica de sete metros de altura da Nossa Senhora da Boa Estrela, a padroeira dos pastores, inaugurada em 1946. A escultura localizada no Covão do Boi foi uma encomenda a Antônio Duarte, pai do Prof. Filipe D. Santos, diretor do Programa. “Muitos verões foram passados aqui”, comentou Prof. Filipe. Ainda hoje as festividades para celebrar a fé e a proteção aos pastores são realizadas no segundo domingo de agosto.

Chegamos a Seia e fomos ver de perto o fabrico artesanal de queijo de ovelha, onde a renomada empreendedora familiar – Maria Natália Simão – produz queijo de modo artesanal e o marido pastoreia as ovelhas na Serra da Estrela por dois meses no verão à modo antiga.

De Seia, seguimos viagem para Peso da Régua, para conhecer o manejo das vinhas frente aos desafios das Alterações Climáticas pelo empreendimento privado da família Symington.

Fomos recebidos na mais antiga propriedade – a Quinta do Bonfim, uma das 26 quintas da família no Alto Douro, região que é Patrimônio Mundial da Unesco.