Crônica: a juventude vai salvar o mundo

Por Ana Carolina Siqueira

Quando estava prestes a concluir o Ensino Médio, meus colegas e amigos próximos formaram um grupo de jovens ativistas, chamado “Jovens pelo Clima.” Na época, muitas vezes encarei a iniciativa com certo ceticismo, vendo-a como algo irrelevante, incapaz de mudar o mundo. Hoje, olhando para quase meia década atrás, percebo o quanto eu estava errada, precisamos deles mais do que nunca!

Anna Carolina usa óculos e máscara e está entre colegas pelo clima

Neste semestre (segundo de 2025), optei por disciplinas que me reaproximassem da minha paixão, e o jornalismo científico e ambiental era a minha grande aposta. Compartilhei com amigos minha ansiedade em participar de debates sobre mudanças climáticas e o crescente negacionismo científico, pautas em alta devido aos rumos do mundo. 

Vemos, de um lado, uma geração mais velha que “tenta” consertar os erros e, do outro, parcelas que se tornam extremistas, negando evidências. Elas vivem em um mundo fictício, incapazes de admitir erros do passado e do presente, impedindo um futuro sustentável para todos.

O mundo se apresenta hoje, em ondas de polarização e radicalização. Em um extremo, líderes de extrema-direita em ascensão adotam plataformas autoritárias, onde o inimigo é sempre o outro, definido por raça, gênero, sexualidade, imigração ou religião. Esses mentores das mentiras do século XXI negam as mudanças climáticas. 

Eu me pergunto: será que não sentem o calor, o frio extremo, a piora do ar? Não sentem a urgência de deixar o melhor para seus descendentes? São inúmeros os questionamentos a serem feitos a esses “senhores” que degradam o planeta. A juventude é a minha solução para esse problema.

Busquei um exemplo de resistência no coletivo A Vida no Cerrado (AVINC), um grupo de jovens ativistas do Centro-Oeste composto majoritariamente por mulheres. Em minhas conversas com a ativista Natália Brito, compreendi que a fundação do grupo nasce da urgência: elas se entendem como a última geração capaz de salvar o bioma.

Natália me explicou que proteger as nascentes do Cerrado não é apenas uma questão regional, mas uma estratégia de segurança hídrica para toda a América do Sul. É um grito por visibilidade para os povos tradicionais, como os quilombolas Calungas, que são guardiões dessa vida humana e, ainda assim, frequentemente silenciados nas grandes decisões climáticas globais.

Creio que a Geração Z e os Millennials ainda têm o poder de salvar este mundo; nem tudo está perdido! O começo pode estar em pequenos grupos climáticos locais, que se transformam com o tempo. Precisamos de mais vozes de nossas gerações nos debates, elegendo políticos jovens e comprometidos com a causa.

Precisamos ouvir a ciência, que deve tornar seu discurso mais acessível. É nessa luta que a juventude pode entrar, usando as redes sociais para reverter a lógica do discurso de ódio e espalhar a verdade, desmantelando falácias.

A juventude ativista climática precisa de mais voz e mais espaço no debate público. É fundamental comunicar a seus pares a importância de preservar o planeta, pois são nossas vidas que estão em jogo e a nossa casa que está em perigo! 

Anna Carolina abordou o trabalho do coletivo da Avinc para a 2a edição da Reportagem Mural. Os posters com as reportagens estiveram em exposição de 1 a 29 de outubro de 2025 no corredor do Bloco 12.

A Reportagem Mural é uma atividade de produção jornalística da disciplina Jornalismo Científico e Ambiental, disciplina do 7o semestre do curso de Jornalismo no Centro Universitário de Brasília (CEUB).

Clima?! O que andei escrevendo sobre a COP 30 e o voto para além do óbvio em 2026

Na coluna Clima & Pessoas que escrevo toda semana no Misto Brasil, abordei a COP 30 buscando trazer o olhar de um cidadão comum que se move entre o que o afeta em seu cotidiano e o que está à sua volta na sociedade e no modo como vive. 

Acervo pessoal: vista da região de Pirenópolis (GO) na Cachoeira dos Dragões

Comecei a temporada perguntando por que interessa acompanhar a COP30. Tratei de valorizar a ação individual e mostrei que há muitas dimensões para atuar contra a crise climática. Ao estar informado/a, é possível buscar soluções locais e reivindicar adaptações necessárias para bem viver em tempos de efeitos para lá de conhecidos: chuvas muito intensas e muito rápidas, secas mais prolongadas, ondas de calor e frio, alagamentos, deslizamentos, enchentes, e até tornados, recentemente. 

No segundo episódio, o texto focou na contradição em que vivemos no país – articulamos e criamos um complexo mecanismo de financiamento para manter as florestas em pé ao mesmo que tempo em que aprovamos a exploração de petróleo na foz do Amazonas. 

Logo a seguir veio o texto sobre a necessidade cada vez mais urgente de integrar as medidas de adaptação às políticas públicas e aos planos estratégicos de desenvolvimento. Precisamos de medidas de mitigação para reduzir a presença dos combustíveis fósseis como motor econômico. Mas essas medidas não chegam na velocidade necessária e, por isso, o olhar se volta para a adaptação. Ainda assim, os recursos são sempre muito escassos. 

Depois, dediquei dois textos para mostrar que está na hora de colocar a mão na massa e agir de verdade para implementar soluções para que as espécies – nós, pessoas humanas, inclusive, possamos estar capacitados a enfrentar a crise climática que já se instalou em nossas vidas. 

Finalizei a temporada mostrando que a COP30 perpetua o descompasso entre a urgência e a ação e os países caminham a passos de formiga para fazer o que precisa ser feito. Invoquei até a letra e música de Lulu Santos de 1994 – Assim caminha a humanidade

Ainda leva uma cara
Pra gente poder dar risada
Assim caminha a humanidade
Com passos de formiga e sem vontade
Sem vontade

O que vem agora na coluna do Misto Brasil? Tomei a decisão de iniciar a temporada de escrituras focada nas eleições. Em 2026, o voto de cada um dos cidadãos brasileiros tem peso, o meu incluído. Não só o peso para escolher os nossos representantes, mas o peso para decidir como vamos viver em 2030.

Diversas soluções para minimizar os efeitos das mudanças climáticas precisam ser implementadas nesse intervalo de quatro anos. Os impactos serão cada vez mais severos quanto mais a temperatura subir dos 1.5oC atuais. Importa conhecer as soluções e saber que elas estão ao alcance de nossas mãos, como indivíduos e coletividade. E ao alcance também daqueles que vamos eleger para fazer leis (deputados e senadores) e para executar as políticas públicas e gerir a organização do território em que vivemos (governadores e presidente da República).