Muita coisa na agenda global do Clima

Não há como não parar por aqui para escrever umas linhas sobre o que anda acontecendo na política do Clima. Posteriormente dedicarei um post a cada um dos assuntos que estão muito sucintamente apresentados.

Essa semana, o Summit no Vaticano, com endosso do Papa Francisco, discutiu o assunto Climate Change e trouxe à tona como a Igreja tem a responsabilidade de falar sobre Ética e Moral de um tópico que já afeta imensamente os mais necessitados, os países mais pobres e que vai impulsionar mais eventos extremos com consequências muito devastadoras para as pessoas e para a vida em sociedade. O Papa tem na agenda uma apresentação nas Nações Unidos em setembro e vai falar da nova Encíclica.

Essa semana, o governador da Califórnia (Estados Unidos) resolveu ir mais além na redução de emissões e estabeleceu um teto mais progressista do que o plano nacional norte-americano. Para isso emitiu uma ordem executiva para que o estado possa liderar dentro dos Estados Unidos uma aceleração nos cortes de emissão. A ordem favorece o uso de carros menos emissores como híbridos e elétricos. A Universidade da Califórnia mantém um laboratório para carros elétricos, em Davis.

A conferência Our Common Future under Climate Change da Unesco, em antecipação à COP 21 em dezembro em Paris, divulgou a lista de selecionados para participar das sessões orais e pôster essa semana. A conferência será entre 7 e 10 de julho e nós estaremos lá com o jogo Aventura Climática que criamos junto com José Sousa e Josiel Cunha. O jogo será apresentado em forma de pôster.

Há duas semanas o Brasil conclui o levantamento da ampla consulta pública que realizou para fundamentar sua participação na COP 21 em Paris. Participei da primeira fase que era de respostas a questionários enviados pela internet. A segunda fase foi marcada por encontros presenciais e regionais para coletar opinião dos brasileiros. Ainda que lento (o resultado final saiu depois do deadline para entrega voluntária de propostas) o processo conduzindo pelo Itamaraty espelha as boas normas e práticas de engajamento público da população.

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Política Global do Clima: primeiro round rumo a Paris 2015

Vinha acompanhando a entrega das propostas voluntárias para o Acordo de Paris sobre Climate Change e hoje encontrei uma entrevista que ajuda a costurar o que foi entregue e as perspectivas futuras para o Acordo.

Para compreender o contexto, dia 31 de março de 2015 foi o deadline para que os países entregassem seus planos e metas de emissão de carbono. A contabilidade mostra que 33 submissões foram entregues por países, cumprindo a chamada voluntária acordada em Lima (Peru) na COP 20 de tornar pública suas propostas, cujo nome técnico é Intended National Determined Contributions (INDCs).

A entrevista de Janos Pasztor (foto), de UN Assistant Secretary para o Acordo Geral de Paris 2015, ao canal France 24 rFoto UN Janos Pasztorevela que o conteúdo das propostas dos países, em sua totalidade, não permite vislumbrar um cenário de 2 Graus e que o acordo que sairá da COP 21 em Paris é um “package” que envolve metas, monitorização e descarbonização a longo prazo.

O que significa a declaração de Janos Pasztor: “it is very likely that the commitments we will get from countries will not be sufficient to meet UN’s 2°C target”? Significa que ainda que metas de redução ou teto de emissão sejam acordados, o cenário mudou e estrategistas e cientistas já começam a trabalhar com high end scenarios, ou seja, projeções para aumento de 4 Graus.

Num cenário como esse, as implicações para as populações e para as sociedades são consideráveis e as futuras generações já estão muito mais vulneráveis às questões climáticas do que podemos pensar. Lembro-me sempre de Prof. Dr. Filipe D. Santos, físico e cientista do clima português, me dizendo: “a coisa não está bonita“, num dia qualquer em setembro de 2014 ao final da aula na Universidade de Lisboa.

O Acordo de Paris, segundo Pasztor, é muito importante porque vai definir como monitorar emissões e cortes. Para mim, além disso, o Acordo de Paris vai abrir uma nova onda de discussão científica sobre cenários 4 Graus e consolidar o discurso atual de energia limpa e descarbonização via tecnologia.

A entrevista no canal France 24.

Propostas submetidas pelos 33 países – INDCs.