Gestão de Risco em Trilhas: uma visão em quatro dimensões – caminhadas

A live a convite do grupo Caminhantes do Cerrado (CdC) foi um momento muito especial para falarmos de gestão de risco em trilhas. O foco da palestra foi a dimensão do caminhante, do indivíduo, aquele que faz caminhadas e/ou travessias e expedições. O vídeo da palestra está logo a seguir.

A dimensão do caminhante é uma das quatro dimensões em que podemos pensar a gestão de risco em trilhas: indivíduo, guia/condutor, empresa/operadora, parques temáticos/unidades de conservação. Cada uma dessas dimensões apresenta aspectos singulares que se somam para compor um ambiente seguro para praticar caminhadas na natureza. Além disso, abordei na live, o cenário que estamos vivendo atualmente que é a tendência de uma demanda crescente pelo turismo de natureza.

Essa demanda implica diretamente a concepção de que a natureza é um capital – um patrimônio – um produto turístico, que preservado e conservado tem a potência de gerar desenvolvimento local (renda e emprego), conservação da biodiversidade, conectividade a partir de corredores ecológicos para a fauna, e bem-estar físico e emocional para as pessoas que dele podem usufruir.

Natureza como patrimônio e a necessidade de reconexão, numa profunda compreensão de que estamos como seres humanos imbricados no meio natural e dele é que existimos, é um pilar de sustentação para agirmos frente à emergência climática. Sem meio natural preservado e conservado, não há caminhada, não há contemplação da natureza, não há vida, e não há produto turístico.

É esse, então, o pano de fundo é que me move para falar de gestão de risco de patrimônio, neste caso, natural. Marquei o minuto de entrada (06:00) e de término (49:18) da palestra para que você possa ouvir e/ou assistir. Após a palestra, está a sessão de testemunhos e depoimentos dos participantes que listei logo mais abaixo neste mesmo post. Os depoimentos abordam aspectos que vivenciamos durante as trilhas que praticamos e/o que conduzimos e eles estão entre os minutos 49:20 e 1:44:02.

 

Ao término da live (realizada no dia 31 de outubro de 2023), Rose Farias, líder do CdC, amplia com exemplos os problemas que envolvem a segurança em trilhas e os participantes, dentre eles praticantes de caminhada, guias e condutores, abriram seus microfones e câmeras para darem seus testemunhos e fazerem comentários sobre os problemas reais vivenciados durante os percursos.

Leia os depoimentos dos participantes que estiveram na live Gestão de Risco em Trilhas:

“A prática de caminhada requer conhecimento e é, nesse aspecto, que o Caminhantes do Cerrado procura trabalhar a orientação” , Rose Farias (minuto 50:34)

“Foi muito instrutivo e o assunto ficou muito fácil de ser compreendido e a parte da palestra que me tocou foi o da Serra Fina”, Moisés MC (minuto 1:01:25)

“Depois que fiz o curso, refleti que precisava me atentar para a quantidade de água que devo levar para a trilha porque eu bebo muita água no dia a dia”, Ana Gomes (minuto 1:06:30)

“Os escoteiros trabalham com a natureza e eu participei da organização de levar crianças e adolescentes para a Flona (Floresta Nacional de Brasília) e eles fazem isso de uma forma muito segura, caminham com grupos menores e eles sabem questões de segurança”, Mônica Araújo (minuto 1:11:02)

“É uma via de mão dupla, a gente requer fazer o melhor serviço e o turista nos contrata para realizar sonhos”, Isabela Pinheiro (minuto 1:20:01)

“O ecoturismo é algo bom, é um bem-estar, e deve ser feito com cuidado e contratar guias e empresas é importante além de o praticante respeitar as regras dos locais”, Gilson Pacheco de Oliveira (minuto 1:26:01)

“Implantei uso de capacete, salva-vidas, em trilha aquática, mas o turista precisa reconhecer que são itens de segurança”, Lucas (via chat do Meet – minuto 1:41:50)

“Que a discussão sobre segurança em trilhas seja permanente, pois não é um assunto que está pronto e acabado e por isso a gente precisa cuidar o tempo todo”, Rose Farias (minuto 1:43:27), ao finalizar a live.

Este post também está publicado no Blog do Caminhantes do Cerrado.

16 de Março – Dia Nacional da Conscientização sobre Mudanças Climáticas

Hoje, dia 16 de março, é celebrado o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. Esta é a frase que inicia o pequeno texto que publiquei em meu Perfil no Facebook. O texto reforça que estamos no furacão da segunda onda da pandemia de covid-19, no Brasil, causada por um vírus que cruzou a barreira do mundo animal.

A pandemia chamou a atenção para o facto de que o ambiente tem uma importância crítica em assegurar as condições que poderão permitir um futuro sustentável de bem-estar para a humanidade.
Prof. Felipe D. Santos

Em seu artigo – A ação climática e o clima em 2020, publicado na revista Indústria e Ambiente – Prof. Felipe explica que “a pandemia resulta de uma zoonose, uma doença infecciosa provocada por vírus ou bactérias cujo hospedeiro é um animal”, e que “desde de 1940, as zoonoses foram responsáveis por 75% das doenças infecciosas emergentes, a maioria com origem em animais selvagens, devido à intensificação da agricultura, à procura crescente de animais selvagens para alimentação, à desflorestação e às alterações climáticas”.

Se não se travarem estas tendências de insustentabilidade, as pandemias provocadas por zoonoses continuarão a ser mais frequentes, algumas delas graves como é o caso da covid-19.

Crédito: BBC News Brasil, 20 agosto 2019 (captura de tela)

Tudo isso parece óbvio, mas não o é!

Nossa dificuldade de nos percebermos como parte de um todo e não como um elemento de fora que pode, então, explorar esse mundo natural sem ser afetado por este mesmo mundo, ao qual também pertencemos, pode estar na raiz de nossa incompreensão. Essa barreira precisa ser rompida. Precisamos criar pontes para que cultivemos novos hábitos e práticas e que incentivemos políticas públicas para a construção de uma sociedade carbono zero (ou ao menos rumo a net-zero).

No artigo, Prof. Felipe vai ao coração do problema – combustíveis fósseis. E afirma: “Para cumprir o Acordo de Paris seria necessário deixar de subsidiar as energias fósseis com os fundos de recuperação económica da crise pandémica”, e um consórcio entre os países para uma transição energética justa e global é necessário.

Ele entende que estamos a viver um “imperativo moral” frente ao que é necessário. Segundos dados divulgados no artigo, em 2020, os prejuízos econômicos provocados pelo tempo são avaliados em 258 milhões de dólares.

Relatório da ONU/PNUMA incentiva os governos a responderam ao coronavírus com medidas para acelerar a sustentabilidade, pois a tendência é de mais pobreza e de mais fome no mundo pós-pandemia. O relatório foi publicado em dezembro de 2020 e a preocupação é com retração para o avanço de diversos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas foi instituído, em 2011, pela Lei 12.533, de 2 de dezembro, com o objetivo de incentivar escolas a promoverem atos, eventos, debates e mobilizações para a proteção dos ecossistemas brasileiros.

Estou promovendo meu ato ao publicar este post!