Entreposto olhando a COP21 pelas lentes da Agência Jovem de Notícias

O Blog Entreposto é media partner da Agência Jovem de Notícias durante a COP21. Os repórteres da Agência priorizam assuntos dos eventos paralelos e realizam entrevistas com jovens líderes de movimentos ambientais globais. cop21 labelAté o momento, a cobertura trouxe a posição dos povos indígenas, as questões do financiamento climático, o problema da degradação do solo e da crise da água e os caminhos para cobrir perdas e danos causados pelas mudanças climáticas. Textos podem ser lidos aqui no Entreposto.

O material da sessão plenária de abertura da COP21 foi produzido por dois repórteres da Agência Jovem Internacional de Notícias, Agostina Herrera @agoshb (Argentina) e Jhoanna Cifuentes @jhoabastet (Colombia) que reportaram as expectativas dos chefes de Estado para um acordo ambicioso que permita que a temperatura do planeta não ultrapasse os 2ºC.

O presidente francês, François Hollande, deu destaque à justiça climática, pois o clima é um bem comum que afeta a todos; o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ressaltou a necessidade de equilíbrio entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento para um mundo com menos emissões; a chanceler alemã, Angela Merkel, focou na transferência de tecnologia em energia e transporte; e o presidente chinês, Xi Jiping, enfatizou a necessidade de recursos e o compromisso de seu país com o corte de emissões.

Dentre os depoimentos coletados pelos repórteres Agostina Herrera e Jhoanna Cifuentes, eu selecionei três deles para destacar aqui.

Estamos aqui para cuidar do planeta inteiro, as vítimas deste fenômeno são milhões e nenhum país ou região está isento dos desastres das mudanças climáticas, motivo pelo qual precisamos falar de justiça climática.
Presidente da França, François Hollande

Temos que promover um mundo abaixo de emissões tóxicas … a Alemanha participará em numerosos programas de pesquisa sobre energia renovável e ajudará países com menos recursos.
Chanceler da Alemanha, Angela Merkel

O acordo de Paris deve centrar-se em reforçar de fato as ações além de 2020. Ele nos ajudará a assegurar que mais recursos sejam colocados à disposição para lutar contra o aquecimento global … e para o ano de 2030, gostaríamos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa por unidade de PIB.
Presidente da China, Xi Jiping

Esse blogpost foi produzido a partir de material da Agência Jovem Internacional de Notícias.

Cidadão e Instituições: transformação social a caminho?

Parece mesmo que chegou o tempo de trazer à luz o poder de transformar que existe no cidadão e nas instituições. Cidadãos e Instituições são atores sociais ativos que influenciam políticas e governos e moldam as sociedades em que vivemos. homem futuroEssa semana me deparei com duas personalidades públicas abordando a necessidade de transformação social para que possamos dar conta de viver num Planeta que está apresentando profundas mudanças em seu sistema climático. O pesquisador Carlos Machado traz o cidadão como motor da vida em sociedade e o economista Hoesung Lee traz a instituição como vetor para transformações.

A força do cidadão, sujeito ativo, é o ponto de partida para a resenha do livro do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Carlos José Saldanha Machado, publicada no Jornal da Ciência (SBPC, edição 20 outubro 2015).

“[…] os seres humanos não são mais vítimas inocentes compelidas a adaptar-se, em alguns casos, rapidamente, a mudanças em grande escala nos sistemas ambientais resultantes de forças superiores ao seu controle. Ao contrário, enquanto corresponsáveis, é o próprio comportamento do homem moderno que deve ser revisto, […] de forma dialogada e juridicamente exemplar no espaço público-político, […], se pretendemos ter sucesso no melhoramento ou no redirecionamento da mudança climática global”.

Carlos José Saldanha Machado

A força das instituições, entidade ativa, é o ponto de partida para as entrevistas concedidas pelo economista Hoesung Lee, novo presidente do IPCC (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas, sigla em Inglês) tanto na conferência de imprensa logo que foi eleito (6 de outubro) como na entrevista ping-pong publicada pela revista Nature (edição 13 outubro 2015, tradução livre).

“[…] aumentar a participação de especialistas dos países em desenvolvimento porque nós sabemos que esses países precisam melhorar o nível de qualidade de vida mas ao mesmo tempo precisam atingir isso de modo que não pese na concentração atmosférica de emissões de gases de efeito de estufa. É uma tarefa difícil. […] a regra é compreender as limitações e as oportunidades para os países desenvolvidos no esforço para participar das deliberações globais para as mudanças climáticas”.

Hoesung Lee

Práticas para o engajamento

O engamento civil se constrói com práticas de cidadania e multiplos níveis de participação. Até o final do mês é possível participar da consulta pública para aprimorar o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA) do Brasil. A consulta pública pode ser realizada via internet na página criada especialmente para isso pelo Grupo Executivo sobre Mudança do Clima (Gex), do Ministério do Meio Ambiente.

Instituições como o IPCC são capazes de redirecionar políticas e talvez possa ajudar a impulsionar a transferência de tecnologias entre os países com economias desenvolvidas, em transição e em desenvolvimento. Duas prioridades do novo presidente do IPCC, Hoesung Lee (foto), Hoesung Lee IPCCpara o AR 6 (Sexto Relatório) são (i) aprimorar a comunicação da instituição e de seus relatórios e (ii) incorporar no Grupos de Trabalho (WG) mais aspectos sociais sobre como as pessoas e as sociedades estão se adaptando e enfrentando os efeitos das mudanças climáticas. A pesquisadora brasileira Thelma Krug foi eleita vice-presidente do IPCC e desde 2002 é integrante da força-tarefa sobre inventários de gases de efeito de estufa.

O tempo será mesmo o senhor da razão!