Blue Marble – a lyrical narrative for reviving our humanness and sense of belonging to planet Earth

Blue Marble 1972 NASA Apolo 17

This is our home, Al Gore

I have been thinking about writing this post since I left the movie theater accompanied by my friend Marie Johnson on Aug 4th. I postponed doing it so many times. Not today!

The new Al Gore movie, the unofficial name of the documentary – The Inconvenient Sequel: truth to power – is worth talking about and watching again. At this point, everyone has a comment, or an opinion, and your own point of view about the movie in favor of or against joining the art critics’ club or the ranking pages.

If it is about money, Forbes’ contributor Scott Mendelson said that in 24 days the documentary earned a total of $2.95 million at the box office. If it’s a lot or not, depends on which reference you’re using. He used the blockbuster hit – Wonder Woman – as a reference. Wrong choice, I think. It is not sound to confront documentaries vis a vis blockbusters and then say that the former “plunged” according to Mr. Mendelson, because the latter earned worldwide $800 million.

I’m done with numbers. They can be the centerpiece of another post. In this one, I want to express my personal sense about a documentary with so many layers – climate advocacy and activism, climate negotiation, climate innovation and technology, climate agreements, climate risks and disasters, climate ethics and justice, and so on. One can read just one of the layers and, still, will have a sense of the documentary as a whole. Good work on the script and production, I must say!

Blue Marble – I am choosing to talk about one of the layers, which is for me, the thread conducting the lyrical narrative of Al Gore movie. This lyrical narrative is an appealing emotional message urging humans to gain a sense of belonging to Planet Earth as Our Home. In doing so it could arise a sentiment of protection and care that will lead to actions towards fighting climate change and implementing a transition into a low or net carbon society and a sustainable future.

How the narrator – Al Gore, himself in the documentary – introduces the lyrical narrative. What was the element to hook the viewer? I would never have expected it to be the “Blue Marble” – a unique image of the Earth far out in the cosmos, taken by Apollo 17, in 1972, and the story about the picture in Al Gore’s office.

From time to time during the documentary, the narrator Al Gore brings back the story of that frame and his relationship with that image. The impressions of the picture on Al Gore and what it meant to him led to DSCOVRDeep Space Climate Observatory – launched by NASA in 2015, and, today, a NOAA space weather satellite known as well as GoreSat. Today, many pictures of the whole planet Earth are available, including one showing the shadow of the Moon cast on Earth, and lots of data about weather conditions and climate.

Before Blue Marble, the view that immersed me in the universe was the one I saw on my family tv screen when I was about to enter my teens. Prior to landing on the Moon, Apollo 11 sent images of Earth as half globe picture – how beautiful that was!Earth from Moon Apollo 11

Earth from space – I was experiencing, at that time, the Overview Effect, and I guess Al Gore was touched by that too. The Overview Effect was described by Frank White in 1987 in his book The Overview Effect — Space Exploration and Human Evolution.

According to White, the Overview Effect is an experience that carries in itself the potential to affect perceptions of the world and humanity after viewing the Earth from space and from the Moon. A spin-off of the book is the short film Overview released in December 2012 by the Overview Institute.

In that film, astronauts and cosmonauts explain their perceptions and attitudes towards the planet and a sustainable future. If you want to watch the 17-minute film on how the phenomenon changes perception, click on the link below.

… when we look down on the Earth from space, we see this amazing, indescribably beautiful planet … It looks like a living, breathing organism. But it also at the same time looks extremely fragile …

Ron Garan, Overview,
ISS astronaut and founder of humanitarian organization Fragile Oasis

… come up with a new story, a new picture, a new way to approach this and to shift our behaviors in a such a way that leads to a sustainable approach to our civilization as oppose to a destructive approach …

Edgar Michell, Overview,
Apollo Astronaut

Credit photos: Blue Marble, from NASA, and Earthrise viewed from lunar orbit prior to landing, from Apollo 11 Image Gallery.

Governança da Atmosfera: um passo inevitável na política global do clima

Nobody is doing but they are talking about …
Margaret Leinen, pesquisadora em paleo-climatologia e paleo-oceanografia

Ninguém está fazendo pesquisa, mas todos estão falando sobre o assunto é como a diretora do Scripps Oceanography Institute, da Universidade da California (UCSD), Margaret Leinen estabeleceu sua plataforma para falar sobre Mudança Climática e Geo-engenharia, também conhecida como Intervenção Climática (Climate Intervention) ou Engenharia Climática. atmosphere-earth1 Intervenção Climática é um assunto polêmico com sérias implicações éticas e que vem ganhando terreno pois se apresenta como a solução tecnológica para o fato de que a redução de emissões está ainda longe de garantir a estabilização em 2oC. Esse caminho implica fazer intervenções na atmosfera, essa camada fina de gases de mais ou menos 100 quilômetros, considerada o dedo mágico que permite reunir na Terra as condições de vida para todas as espécies, entre elas a espécie humana. 

Essa aposta em Climate Intervention não é da ciência, mas do mercado. Segundo a diretora do Instituto, a indústria de petróleo e carvão norte-americana vem trabalhando com a ideia de que, quando for aprovada a política de precificação do carbono emitido, ele (preço) ficará estabilizado em oito dólares a tonelada e que, portanto, será eficiente sequestrar carbono da atmosfera. Essa visão estratégica e de gerenciamento de risco já torna público o que estão fazendo outras indústrias como a Dupont e a Gates: patentes. Estima-se que mais de 25 patentes sobre técnicas e métodos para sequestro de carbono e bio-engenharia climática já estejam registradas. Uma delas, por exemplo, é o experimento de usar sulfato de ferro nos oceanos para aumentar o volume de plânctons com o objetivo de absorver CO2.

Em sua palestra, no Center for Ethics in Science & Techonology, Margaret Leinin (foto) margaret-leinen-1comenta que, no momento, a ciência não tem recebido alocação de recursos públicos para pesquisa em Intervenção Climática, seja nos Estados Unidos seja na Europa. Segundo ela, há conversas entre os cientistas sobre a necessidade da investigação e as implicações éticas de tal empreendimento.

Intervenção Climática é o termo guarda-chuva para duas técnicas e outras delas derivadas: a remoção de gás carbónico ou GGR (greenhouse gas removal) ou CDR (carbono dioxide removal), e métodos de reflexão da luz solar ou SRM (solar radiation management ou albedo management). Detalhes e impactos estão descritos no Relatório Técnico 84 de outubro de 2016 da secretaria da Convenção da Biodiversidade. O Relatório 84 (páginas 30-40) traz uma síntese de como as técnicas de CDR e SRM estão posicionados no relatório AR5, e seu conjunto de documentos, publicado pelo Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC), em 2015.

Crédito: Blog End Time Headlines, 2012

Crédito: Blog End Time Headlines, 2012

Ao externar sua opinião pessoal, Margaret Leinen defende que fazer pesquisa não é fazer uso da pesquisa e que investigar o assunto é necessário pois muitos cientistas não estão convencidos de que sequestrar carbono da atmosfera será efetivo. Segundo ela, pesquisa sobre Intervenção Climática é uma “insurance policy ” (apólice de seguro) que permite compreender e conhecer a ferramenta se for necessário um dia utilizá-la.

Selecionei três pontos que considero fundamentais na discussão sobre Ética e Intervenção Climática, aproveitando o que Margaret Leinen apresentou durante sua palestra (dezembro, 2016):

Ética – Duas considerações éticas envolvem o assunto Climate Intervention: moral harzard (perigo moral) e slippery slope (terreno escorregadio). Avançar com a investigação e o uso dela pode provocar uma estagnação e uma inércia na tendência e na motivação para fazer as transformações necessárias de combate às mudanças climáticas e isso é o perigo moral. quadroTambém é um terreno escorregadio pois a investigação de geo-engenharia pode acelerar uma tendência e os resultados podem se transformar em desastre. Na tentativa de manter o uso da pesquisa circunscrito às questões éticas, a Convenção da Biodiversidade, desde 2010, estabelece diretrizes de que nenhuma atividade de geo ou bio-engenharia pode ser desenvolvida sem que tenha base científica.

Governança – Como governar o sequestro de carbono da atmosfera? Quais as implicações legais a respeito de Intervenção Climática? Com essas perguntas Margaret tratou de enfatizar que o clima é um bem comum que afeta a todos, ainda que de forma diferente, e que a atmosfera também é um bem coletivo. Ela exemplificou a situação afirmando que aerossóis aplicados em nuvens vão de um polo a outro em um ou dois meses e que podem circular ao redor do globo em duas semanas, causando diferentes impactos em diferentes partes do planeta. Ou seja, o que parecia bom para a área geográfica X não será bom para a área geográfica Y, que será afetada de maneira prejudicial uma vez que os aerossóis estão circulando planetariamente. Segundo Margaret, é consenso internacional de que a legislação sobre o uso de gases (convenção sobre armas químicas e biológicas) é a que se aplica caso algum governo ou alguma empresa privada comece a atuar no sequestro de carbono na atmosfera no presente momento. Também é importante considerar a experiência com a governança espacial em relação a satélites de uso militar, cientifico e comercial que está nas mãos das Nações Unidas, UN Outer Space Affairs.

Coletividade – As soluções para as questões do clima impõem ações coletivas e atenção voltada para sistemas e não tanto para ações individuais. As ações individuais práticas se traduzem em limitada redução de emissões de carbono enquanto que as ações coletivas que induzem a diferentes usos individuais são as que produzem resultados no montante de emissão local, regional e global. Posto isso, a diretora Margaret Leinen defende que ampliar a participação do público é importante assim como envolver o mercado e os negócios. Segundo ela, tanto a pressão popular como as empresas é que são os grandes impulsores para a produção de eletricidade de base carbono neutro e são também os players em assuntos como Intervenção Climática.

A íntegra da palestra está disponível na UCSD TV a partir de 17 de janeiro de 2017.