The Cross of the Moment: em busca de uma ética climática

Combinação perfeita: Sexta-Feira Santa e o documentário The Cross of the Moment. Uma hora, 24 minutos e 11 segundos de uma narrativa construída a partir de entrevistas com 13 intelectuais e acadêmicos norte-americanos sobre climate change e os desafios para a humanidade.

Devo dizer que me surpreendi com a escolha do diretor para o encerramento do documentário. Ele encerra com a poesia For The Children lida pelo autor Gary Snyder, ganhador, em 1974, do Prêmio Pulizter, pela obra Turtle Island. As últimas duas estrofes são um recado ético. Se prefere ouvir, quando clicar no vídeo logo abaixo, deslize até o tempo de 1:19:14.

To climb these coming crests
one word to you, to
you and your children:

stay together
learn the flowers
go light

Quando terminei de ver o documentário não pude deixar de sentir admiração pelo trabalho de edição realizado pelo cineasta independente Jacob Freydont-Attie, com copyright pela Neon Buddha Multimedia, empresa do próprio cineasta. As falas dos entrevistados foram costuradas de modo a compor um sentido, um novo discurso, para além do que eles estavam falando ou explicando.

Para mim, o novo sentido está focado no chamamento ético necessário para preservar a vida. Uma mensagem mista de esperança e de trabalho a ser realizado durante a janela de oportunidade pelos próximos 20/30 anos para a transformação efetiva de uma sociedade movida a combustível fóssil para uma movida a energia solar-vento.

De baixo custo, gravado no ambiente de trabalho ou doméstico de cada um dos entrevistados, o documentário está previsto para ser lançado oficialmente no dia 1º de maio no Film Festival North Hollywood – CA. O trailer, a lista dos entrevistados e outras informações estão em The Cross of the Moment.

Congresso CPLP sobre Alterações Climáticas sinaliza para a mútua cooperação científica

A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) termina o I Congresso sobre Alterações Climáticas sinalizando para o aprofundamento da cooperação científica. A Declaração Conjunta dos nove países da Comunidade (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste) ressalta o intercâmbio entre cursos de formação avançada e de capacidades na Administração Pública e também a troca de informações e boas práticas para as questões de clima que incluam instituições da sociedade civil e empresariais. O II Congresso está programado para 2017, em São Paulo (Brasil), coordenado pela Universidade de São Paulo (USP).Encerramento CPLP 2015

O I Congresso ocorreu nos dias 19 e 20 de novembro de 2015, em Lisboa (Portugal) e manteve um olho na COP 21. A Comunidade encara a COP de Paris com otimismo e entende que é uma oportunidade para avançar na transição para energias renováveis e obter financiamento para projetos de mitigação e adaptação às Mudanças Climáticas. Na sessão de encerramento, o embaixador da França em Portugal, Jean-François Blarel (foto, último à esquerda), também adotou postura otimista. Segundo ele, a pré-COP, no início de novembro, já garantiu monitoramento dos compromissos voluntários dos países de 5 em 5 anos e também mais financiamento, ao menos francês, para a transição energética.

Ao fazer uma síntese dos dois dias de Congresso da CPLP, o Prof. Viriato Soromenho-Marques (FL-ULisboa) destacou a necessidade de respostas às Alterações Climáticas como forma de assegurar a paz no século XXI. Disse ainda que a cooperação é obrigatória e que a herança comum da Língua Portuguesa como veículo de comunicação dá aos países da CPLP uma janela de liberdade para um futuro comum. O audio do Prof. Viriato com a síntese do Congresso está logo abaixo.

Não existe alterativa à cooperação. Somos obrigados a uma cooperação compulsória, obrigatória
Prof. Viriato Soromenho-Marques

Se o otimismo dominou o I Congresso, nem por isso os desafios deixaram de ser apontados. Ressalto três deles. O primeiro é a necessidade de sinergia entre as convenções irmãs da Rio 92: Convenção do Clima, Convenção da Biodiversidade e Convenção de Combate à Desertificação. O segundo é deixar debaixo do solo o combustível fóssil que vale cerca de 22 trilhões de dólares e transferir os subsídios dos fósseis para as energias renováveis. O terceiro desafio é “fazer ouvir a voz dos cidadãos”, como expressou a profa. Luísa Schmidt (ICS-Ulisboa), ao apontar que os cidadãos de países da CPLP estão muito preocupados com as Alterações Climáticas e querem medidas concretas, conforme consulta mundial de opinião pública – Clima e Energia, realizada em 2015.