Solo: recurso para ação de mitigação às mudanças climáticas

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Reportagem e Fotos Agência Jovem de Notícias
Por Milena Rettondini

Quando falamos em mudanças climáticas, o solo não é exatamente a primeira coisa que nos vem à mente. Fala-se das emissões de dióxido de carbono, do derretimento das geleiras, do aumento da temperatura, mas pouco se fala daquilo que temos todos os dias sob nossos pés. O que sustenta nosso mundo, de fato, é um dos fatores-chave que podem ajudar a mitigar os efeitos do aquecimento global.

A principal função de mitigação desenvolvida pelo solo é o armazenamento de CO2, ou seja, a retenção de dióxido de carbono e de outros gases que, se liberados na atmosfera, contribuem para o aumento do efeito estufa. Nas palavras da Agência Europeia do Ambiente, o solo é a “segunda grande piscina”, depois do oceano, que captura o CO2, garantindo que ele não seja liberado na atmosfera.

Dessa forma, na medida em que o solo é danificado pelo desmatamento, erosão, compactação e urbanização, o CO2 contido no subsolo vem à tona, contribuindo ainda mais para o aumento das temperaturas, a acidificação dos oceanos e todas as outras consequências conhecidas. Somente o solo europeu armazena mais de 75 bilhões de toneladas de dióxido de carbono que, a cada dia, são gradualmente liberadas pelas várias atividades humanas. Em termos concretos, o que causamos ao danificar o solo?

O solo oferece gratuitamente uma infinita variedade de serviços que chamamos de ecossistêmicos. Entre os mais importantes estão:

  • conservação da biodiversidade
  • produção de alimentos
  • serviços de apoio (incluindo armazenamento de carbono)
  • regulação da qualidade da água
  • controle da erosão, e
  • proteção contra eventos hidrogeológicos extremos

A questão do uso do solo nas negociações internacionais está inserida na categoria do Land Use Land Use Change and Forestry (LULUCF), há muito reconhecida como elemento importante na mitigação da mudança climática, mesmo que atualmente seja ainda difícil obter dados confiáveis nesta área – já que o monitoramento encontra vários obstáculos. Evento uso do soloComo argumentou Lucia Perugini, do Centro Euro-Mediterrâneo sobre as Alterações Climáticas, em evento dentro da COP21, as consequências do mau uso do solo são mais sentidas em nível local do que global. Por isso, é exatamente no nível local que torna-se urgente pensar em políticas de mitigação, sem esperar diretrizes de níveis superiores, muitas vezes ineficazes e pouco adequadas aos territórios em que devem ser aplicadas.

As soluções estão equacionadas, mas como não são aplicadas suficientemente, a implementação é a exigência atual. A compensação por meio do reflorestamento, por exemplo, é uma das soluções. Também é necessário investir na formação de administradores locais, para que possam gerir o recurso solo adequadamente.

Água: preocupação para as cidades da C40

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Reportagem e Fotos Agência Jovem Internacional de Notícias
Por Giulia Motta Zanin (Italia) e José Jara (Argentina)

A Rede de Megacidades (C40) está muito preocupada com a questão da água. Seja a falta seja o excesso: seca e inundações. Segundo Mandy Ikert, líder das iniciativas de adaptação à crise da água da Rede, as mudanças climáticas apresentam um grande risco para as cidades e as inundações são a maior preocupação. Em evento paralelo na COP21, a C40 abordou o problema.

Akel Biltaji, de Amman, na Jordânia, falou sobre a última grande inundação em 2014. “Recebemos a maior quantidade de água possível de chuva no menor tempo, numa área concentrada. Normalmente, nossa infraestrutura pode absorver a água em duas ou três horas. Porém, nunca poderia funcionar em uma tormenta tão grande como a que foi esta última”, disse ele. Segundo Akel, há necessidade de se preparar para novos desastres ainda que o clima seja imprevisível.Inundação

João R. Capobianco, ambientalista e representante do estado de São Paulo, no Brasil, abordou o problema do sistema de abastecimento de água devido à seca e má gestão dos últimos anos. Ele explicou que, em 2014, houve colapso porque o nível de água chegou a ficar abaixo de zero. O representante de São Paulo (Brasil) enfatizou que a água é um direito humano e não pode ser tratada apenas como objeto de consumo.falta d'agua

O prefeito de Estocolmo, Gustav Landhal, começou sua fala dizendo que sua cidade está construída sobre a água e por isso sofre de inundações desde sempre. O aumento do nível do mar e as grandes tormentas, segundo ele, levou a cidade a buscar uma maneira alternativa de regular o nível da água do lago e desenvolver serviços de adaptação de ecossistemas às mudanças climáticas.

A vegetação desenvolve um papel fundamental nesta problemática, porque reduz o estresse e incrementa o bem estar e, neste caso específico, pode contribuir para reduzir os danos durante as inundações.
Prefeito Gustav Landhal

A C40 é uma rede de 82 cidades trabalhando juntas para enfrentar as mudanças climáticas. Estas megacidades representam 11% da população global e 25% do PIB global. Objetivos da Rede de Megacidades:

  • colaboração entre os atores
  • promoção do debate público
  • conectividade com organizações do mesmo tema, e
  • incentivo ao diálogo entre governo, setor público e setor privado