Midnight Ride – mobilização Climate Change

Cavalo Balboa ParkFui dormir muito tarde no sábado 13 de junho. Na verdade, já domingo de madrugada. A mobilização por Climate Change aqui em San Diego (CA) foi uma performance com direito à roupa de época, cavalo e sino na entrada do parque no centro da cidade. As fotos estão escuras mas era mesmo meia-noite quando o ex-parlamentar Jim Bates vestido a caráter e montado num cavalo repete o ato de Paul Revere, um personagem da história norte-americana dos idos de 1700, que avisou moradores sobre a invasão dos britânicos.

DSC03213A performance foi usada como metáfora para avisar aos moradores de San Diego que Climate Change está chegando. Senão pela seca que já dura 4 anos, mas também pelo calor mais intenso, pela neve que não chega às montanhas, pelo nível do mar que já vai subindo e pela erosão costeira que coloca os moradores abastados residentes à beira do mar em pé de guerra com o governo local sobre o direito de construir paredes de proteção.

Somaram uns 70 os presentes à mobilização. Os oradores enfatizaram a necessidade de energia limpa e de observar a relação agricultura, alimentação e mudanças climáticas. Dois novos oradores se juntaram à The Climate Mobilization que não estiveram no primeiro evento em março de 2015: os religiosos e os cidadãos lobistas. Os religiosos na figura do Bispo cristão George Mckenny falaram do dever moral pela luta e preservação da humanidade. Os cidadãos lobistas falaram da advocacy que realizam junto ao Congresso no esforço para modificar a legislação sobre o uso de carvão em usinas de geração de eletricidade.

O próximo evento em San Diego (CA) será no dia 20 de setembro. E o objetivo é unir forças e pessoas na rua para apoiar a presença do Papa Francisco em seu discurso na abertura da Assembleia da ONU, em Nova Iorque (NY).

Analogias e tangibilidade para Climate Change

A semana do Dia Internacional do Meio Ambiente terminou e eu quero registrar pelo menos duas analogias que ajudam a tornar tangível as questões que envolvem Alterações Climáticas. Essa é a minha contribuição para o dia 5 de junho, instituído pelas Nações Unidas em 1972 com o objetivo de sensibilizar e de promover a conscientização sobre as questões ambientais. As analogias são parte de um banco de dados sobre como as pessoas e instituições explicam Climate Change e o que elas ressaltam como conceito central.

O cientista brasileiro Tasso Azevedo associa Climate Change e a temperatura média da superfície da Terra com a febre do corpo humano. Ele utiliza essa analogia em suas palestras. O ser humano com febre tem elevação da temperatura corporal, o que pode provocar choque e desfalecimento quando está muito alta. Em seu blog, Tasso faz essa analogia numa postagem de 11 de outubro de 2013.

É preciso reduzir drasticamente as Emissões de gases de efeito estufa, sobre pena de chegarmos ao fim do século com aumento médio de temperatura do planeta em até 4,8°C. Pode não parecer muito, mas, considerando que a temperatura média da superfície terrestre é de cerca de 14°C, um aumento de “apenas” 2°C é o equivalente a 15% mais. Proporcionalmente, corresponderia a um aumento de 5°C no corpo humano. Uma febre bem acima de 40 graus“.

Tasso Azevedo também usa a analogia da febre na mediação que fez para o projeto da CPFL Cultura e Planeta Sustentável. O projeto tem o nome de Mudanças Climáticas: rumo a um novo acordo global e foi veiculado em 2014 pela TV Cultura. A palestra de Tasso tem 53 minutos. Ele usa a analogia da febre do corpo humano nos 15′ e 30”, dizendo que a temperatura média da superfície da Terra é 14 a 15oC e que a do ser humano é 36 a 37oC. Como a temperatura da Terra já aumentou 1 Grau, o Planeta está com febre. 

 

 

A outra analogia está na campanha da empresa norte-americana de sorvete Ben&Jerry’s que associa derretimento de sorvete com derretimento de geleiras e o objetivo de 2oC como teto para a elevação da temperatura média à superfície da Terra. A campanha recebeu críticas pois produtos de lacticínios geram metano, um dos gases que provoca mudança climática ainda que nada comparado com o dióxido de carbono, e também por conta do movimento contra alimento de origem animal.

O esforço publicitário de associar sorvete e geleira e derretimento e o slogan – se derrete, se arruína – tem como chão uma política de economia de baixo carbono em 2020 para a empresa nos Estados Unidos. O vídeo circula no YouTube desde o ano passado e está disponível no site da empresa, desde a campanha da Avaaz e a Marcha pelo Clima, em setembro de 2014, por ocasião da UN Summit com chefes de Estado em Nova Iorque.