Paris Conference (vii)

O que trouxe para casa e balanço final

Além da experiência de divulgar o projeto do jogo Aventura Climática©, participar da Conferência permitiu perceber que nosso trabalho está engajado e em sintonia com os estudos sobre Climate Change e as transformações pelas quais vamos atravessar pelos próximos 30 anos. Quero ressaltar algumas coisas que trouxe para casa comigo.

The Guardian Conference1A primeira delas foi estar presente a uma audiência de mais de 200 cientistas e assistir todos, dentre eles eu e meu amigo, levantarem a mão quando perguntados se concordavam com a campanha do The Guardian, em parceria com a ONG 350.org, para desinvestimento em combustíveis fósseis. A campanha tem por objetivo convencer investidores a não colocarem dinheiro na economia marrom e sim na economia verde e na economia azul. A campanha vem ganhando mundo e contaminando as decisões de investidores jovens, já recebeu apoio formal das Nações Unidas e, nos Estados Unidos, vem ganhando terreno a partir dos protestos dos universitários para que as universidades desvinculem seus fundos do carbono. A Conferência abriu espaço para um debate com jornalistas sobre a campanha e o salão lotou na hora do almoço. As questões de escolha de pauta e do perigo de se tornar tendencioso em cobertura jornalística foram os elementos chaves do debate.

A outra coisa que trouxe para casa foram os indicativos sobre Política Global do Clima. Um dos indicativos é que o limite de 2°C já não é possível. Se a comunidade política trabalha com esse número para poder avançar, a comunidade científica já está trabalhando com high-end cenários e situações mais extremas após 2050. A superfície da Terra já aqueceu cerca de 1°C e as reduções de emissão de carbono não avançam na proporção necessária para estabilizar o aumento da temperatura. Outro indicativo é que o IPCC mudará a forma como entregará relatórios à comunidade política. Alguns autores líderes apontam a necessidade de relatórios de curto prazo e com abrangência de mais setores. Outros deixam no ar que é preciso mais engajamento da Ciência na Política. O terceiro indicativo é que Política do Clima vai viver nos próximos anos um florescer de experiências locais, comunitárias, circunscritas a um determinado espaço geográfico. Os grandes acordos globais continuam sendo guarda-chuvas, mas as transformações nascerão dentro das municipalidades e serão resultados da capacidade de articulação de cidadãos e comunidade política.

O time de jornalistas produziu uma newsletter com um balanço final da Conferência.

O website oficial da Conferência traz os links e os documentos finais.

 

 

 

Analogias e tangibilidade para Climate Change

A semana do Dia Internacional do Meio Ambiente terminou e eu quero registrar pelo menos duas analogias que ajudam a tornar tangível as questões que envolvem Alterações Climáticas. Essa é a minha contribuição para o dia 5 de junho, instituído pelas Nações Unidas em 1972 com o objetivo de sensibilizar e de promover a conscientização sobre as questões ambientais. As analogias são parte de um banco de dados sobre como as pessoas e instituições explicam Climate Change e o que elas ressaltam como conceito central.

O cientista brasileiro Tasso Azevedo associa Climate Change e a temperatura média da superfície da Terra com a febre do corpo humano. Ele utiliza essa analogia em suas palestras. O ser humano com febre tem elevação da temperatura corporal, o que pode provocar choque e desfalecimento quando está muito alta. Em seu blog, Tasso faz essa analogia numa postagem de 11 de outubro de 2013.

“É preciso reduzir drasticamente as Emissões de gases de efeito estufa, sobre pena de chegarmos ao fim do século com aumento médio de temperatura do planeta em até 4,8°C. Pode não parecer muito, mas, considerando que a temperatura média da superfície terrestre é de cerca de 14°C, um aumento de “apenas” 2°C é o equivalente a 15% mais. Proporcionalmente, corresponderia a um aumento de 5°C no corpo humano. Uma febre bem acima de 40 graus“.

Tasso Azevedo também usa a analogia da febre na mediação que fez para o projeto da CPFL Cultura e Planeta Sustentável. O projeto tem o nome de Mudanças Climáticas: rumo a um novo acordo global e foi veiculado em 2014 pela TV Cultura. A palestra de Tasso tem 53 minutos. Ele usa a analogia da febre do corpo humano nos 15′ e 30”, dizendo que a temperatura média da superfície da Terra é 14 a 15oC e que a do ser humano é 36 a 37oC. Como a temperatura da Terra já aumentou 1 Grau, o Planeta está com febre. 

 

 

A outra analogia está na campanha da empresa norte-americana de sorvete Ben&Jerry’s que associa derretimento de sorvete com derretimento de geleiras e o objetivo de 2oC como teto para a elevação da temperatura média à superfície da Terra. A campanha recebeu críticas pois produtos de lacticínios geram metano, um dos gases que provoca mudança climática ainda que nada comparado com o dióxido de carbono, e também por conta do movimento contra alimento de origem animal.

O esforço publicitário de associar sorvete e geleira e derretimento e o slogan – se derrete, se arruína – tem como chão uma política de economia de baixo carbono em 2020 para a empresa nos Estados Unidos. O vídeo circula no YouTube desde o ano passado e está disponível no site da empresa, desde a campanha da Avaaz e a Marcha pelo Clima, em setembro de 2014, por ocasião da UN Summit com chefes de Estado em Nova Iorque.