Sustentabilidade e pequenos negócios

Mesa redonda entre os professores Mauro Castro, Joana Bicalho e Érika Lisboa alertou para o fato de que os micro e pequenos empresários entendem sustentabilidade apenas como redução de custo. “Para o grande empresário, a responsabilidade socioambiental já foi incorporada à empresa”, enfatizou a doutora em Economia Joana Bicalho.

No entanto, para o micro e pequeno “sustentabilidade ainda é um ovni (objeto não identificado)”, comentou Érika Lisboa. Nessa linha de raciocínio, há controle de água, de papel, de resíduos tóxicos, de consumo de energia, mas o mote é a redução de custo para incrementar receita. “A pesquisa do Sebrae mostra que na cabeça do micro e pequeno empresário empresa e sustentabilidade são dissociadas”, disse.

Os professores lembraram que há uma pressão dos grandes empresários por uma cadeia de fornecedores para os quais os atributos de responsabilidade socioambiental estejam presentes, seja para participar de licitação seja para fornecer para grandes empresas. Isso se torna possível quando os micro e os pequenos começam a incorporar no Planejamento Estratégico da empresa a responsabilidade socioambiental.

A matéria jornalística foi produzida para a Editoria de Sustentabilidade da Agência de Notícias UniCEUB na cobertura do X Congresso Científico, realizado entre 2 e 4 de outubro.

O discurso e a prática: coerência faz a diferença

Hoje pela manhã estive presente à palestra que a ambientalista Marina Silva proferiu no UniCEUB com o tema A construção de um novo paradigma de desenvolvimento no século 21. Não podia ter sido mais impactante seja pelo alerta, seja para capacidade argumentativa, seja pela simplicidade e pela narrativa. Uma aluna, ao terminar a palestra, me olhou e expressou silenciosamente: ual!, que foi isso!

Isso foi a palestra de mais de uma hora, de pura atenção concentrada, em que Marina Silva diz com todas as letras que precisamos resignificar a nossa existência como humanos orientando nossas vidas para sermos algo e não para termos algo. E que o país precisa de uma visão, de um Plano, para que se torne uma potência ambiental e possa direcionar suas ações para a sustentabilidade.

Um discurso voltado para o chamamento interno de que o ter é importante mas não o exagero; que a palavra de ordem será parcimônia para os tempos difícies que virão por conta das mudanças climáticas. Exemplificando, Marina disse que um chinês come cerca de 200 quilos de grãos/ano e que os nós e os americanos comemos 800 quilos/ano incluidos aí os grãos que alimentam as vacas e as galinhas que comemos. No mundo há cerca de 2 bilhões de seres humanos que vivem com menos de 2 dolares/dia. Isto não é pobreza ou miséria. Isso é fome! E o demais é desperdício.

Marina falou de valores éticos o tempo todo. Falou da necessidade de Política com P maiúsculo. Mostrou que a falta de ética da substentabilidade permite decisões voltadas para o lucro e não voltadas para o desenvolvimento sustentável, que busca o equilíbrio em três dimensões (social, econômica e ecológica). Exemplificou contando que quando esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente ficou conhecida pelo apelido de ministra dos bagres porque não autorizou a construção de uma barreira de contenção de sedimentos para a turbina da hidrelétrica no rio Madeira pois havia tecnologia que permitia a construção de outro tipo de contenção que não alteraria ou modificaria o ciclo de reprodução dos peixes (bagres). Segundo ela, depois que saiu do Ministério o governo autorizou a obra lucrativa e os bagres hoje estão sofrendo e junto com eles o homem ribeirinho e as comunidades da região.

Marina Silva trouxe como argumento central o conceito de desadaptação criativa. E essa reflexão vai ficar para o próximo post. Marina Silva é ambientalista, ex-senadora, ex-candidata à Presidência da República em 2010.