Estudantes e professores de Jornalismo lançam livro sobre Rio+20

Manhã de Autógrafo

Equipe de agência de notícias universitária relata experiência de produção jornalística da Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável

Os alunos de Jornalismo do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) Ivan Brandão, Isthael Samara e Jamile Rodrigues e os professores da instituição Henrique Moreira, Mônica Prado e Luiz Claudio Ferreira lançaram nessa quinta-feira (4/10) o livro Relato de Experiência: Rio+20 e a Agência de Notícias Universitária no V Congresso de Ensino, Pesquisa e Extensão. Na foto, sessão de autógrafos do livro sobre a Agência (Ao fundo à esquerda Prof Luiz Claudio, estudantes Ivan, Jamile e Sthael ao centro e Prof Mônica Prado na ponta à direita).

Apesar de não conseguirem com a Organização das Nações Unidas (ONU) o credenciamento para entrar no Riocentro, onde acontecia a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) em junho deste ano, por serem de uma agência de notícias universitária, eles não deixaram esse momento passar em branco. A editora de Sustentabilidade, Mônica, e os discentes Ivan e Sthael foram para o Rio de Janeiro e cobriram a Rio+20 de forma alternativa.

Eles fizeram a cobertura do que acontecia ao redor do Riocentro. Além de ir para os eventos paralelos – no Pier Mauá, no Aterro do Flamengo, no Forte de Copacabana e no Jardim Botânico -, a equipe mostrou os problemas ambientais da cidade que sediava a Rio+20 e os protestos que ocorreram no Rio de Janeiro contra a degradação do meio ambiente. “Nós fomos para a lagoa, para o lixão. Esse é o espírito da Agência, é estar onde os grandes meios não estão”, disse o editor chefe, Luiz Claudio Ferreira. E, ainda, em Brasília, a Agência fez um programa no estúdio de rádio, Rio+20 em Pauta, com uma série de entrevistas de março a maio a título de aquecimento para a cobertura do acontecimento.

No Congresso do UniCEUB, os alunos e docentes fizeram um relato de suas experiências na cobertura, contando suas dificuldades e o sucesso da produção jornalística no estado carioca. “Não fomos fazer uma cobertura factual, fomos fazer uma cobertura com um olhar mais humano”, afirma o estudante Ivan. Eles também tiveram a oportunidade de mostrar o atual trabalho da agência de notícias, despertando o interesse dos alunos de comunicação da instituição.

Rio+20 – Rio +20 foi aConferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho. Uma reunião da ONU com 193 países para discutir como o mundo poderia crescer economicamente preservando o meio ambiente e tirando as pessoas da pobreza. Ela é chamada assim porque marca os 20 anos da Rio92 ou ECO92. Para o evento, foram escolhidos dois temas centrais: a economia verde, com um modelo de produção que degrade menos o meio ambiente, e a governança internacional, que indica estruturas para alcançar esse futuro desejado.

Por Weslian Medeiros, estudante de Jornalismo

A matéria foi publicada pela Agência de Notícias UniCEUB

http://www.agenciadenoticias.uniceub.br/2012/10/relatos-de-uma-experienciacomo-cobrir.html

O discurso e a prática: coerência faz a diferença

Hoje pela manhã estive presente à palestra que a ambientalista Marina Silva proferiu no UniCEUB com o tema A construção de um novo paradigma de desenvolvimento no século 21. Não podia ter sido mais impactante seja pelo alerta, seja para capacidade argumentativa, seja pela simplicidade e pela narrativa. Uma aluna, ao terminar a palestra, me olhou e expressou silenciosamente: ual!, que foi isso!

Isso foi a palestra de mais de uma hora, de pura atenção concentrada, em que Marina Silva diz com todas as letras que precisamos resignificar a nossa existência como humanos orientando nossas vidas para sermos algo e não para termos algo. E que o país precisa de uma visão, de um Plano, para que se torne uma potência ambiental e possa direcionar suas ações para a sustentabilidade.

Um discurso voltado para o chamamento interno de que o ter é importante mas não o exagero; que a palavra de ordem será parcimônia para os tempos difícies que virão por conta das mudanças climáticas. Exemplificando, Marina disse que um chinês come cerca de 200 quilos de grãos/ano e que os nós e os americanos comemos 800 quilos/ano incluidos aí os grãos que alimentam as vacas e as galinhas que comemos. No mundo há cerca de 2 bilhões de seres humanos que vivem com menos de 2 dolares/dia. Isto não é pobreza ou miséria. Isso é fome! E o demais é desperdício.

Marina falou de valores éticos o tempo todo. Falou da necessidade de Política com P maiúsculo. Mostrou que a falta de ética da substentabilidade permite decisões voltadas para o lucro e não voltadas para o desenvolvimento sustentável, que busca o equilíbrio em três dimensões (social, econômica e ecológica). Exemplificou contando que quando esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente ficou conhecida pelo apelido de ministra dos bagres porque não autorizou a construção de uma barreira de contenção de sedimentos para a turbina da hidrelétrica no rio Madeira pois havia tecnologia que permitia a construção de outro tipo de contenção que não alteraria ou modificaria o ciclo de reprodução dos peixes (bagres). Segundo ela, depois que saiu do Ministério o governo autorizou a obra lucrativa e os bagres hoje estão sofrendo e junto com eles o homem ribeirinho e as comunidades da região.

Marina Silva trouxe como argumento central o conceito de desadaptação criativa. E essa reflexão vai ficar para o próximo post. Marina Silva é ambientalista, ex-senadora, ex-candidata à Presidência da República em 2010.