Domingo especial: Mobilização por Climate Change em terras norte-americanas

No centro da cidade de San Diego (CA – US), umas 120 pessoas se reuniram para ouvir e falar sobre Climate Change, no domingo 15 de Março 2015. Havia música, cartazes, crianças, pessoas em geral e muitos integrantes de ONGs ambientais, inclusive da mais tradicional, Sierra Club.

Dentre os participantes, estava Simon Bye, um menino de 8 anos, risonho e alegre, portando ca0315151529rtaz de incentivo a energias limpas (solar e eólica) ajudado por sua mãe, Kelly Barnes, uma voluntaria da ONG Activist San Diego. E Billy Lee, um músico que nos anos 70 teve um professor que o fez refletir sobre os impactos ambientais e o incentivou a compor músicas falando sobre o planeta Terra e a natureza.

Para um olhar estrangeiro, diria que a mobilização foi significativa. O próximo evento já está agendado para o dia 14 de Junho. A estratégia é não deixar morrer o esforço e a campanha que levou mais de 500 mil norte-americanos às ruas em Nova Iorque em setembro do ano passado (2014), e outras tantas pelo mundo afora. A Marcha pelo Clima ocorreu durante o Summit especial convocado pelas Nações Unidas para posicionar na agenda política o tema energia limpa e congregar forças para a COP 20 Lima (Peru), que foi concluída com o acordo geral entre os países de que é necessário buscar limites para as emissões globais de carbono.

Como a contemplar um mosaico, vi o escritório de San Diego do Sierra Club falar sobre a grande vitória na Corte Suprema do estado da Califórnia que obriga o município de San Diego a rever seu plano de combate a Climate Change estabelecendo metas específicas para a redução de emissão de carbono e para outras ações de adaptação previstas no plano municipal. E Dave Engel da ONG San Diego 350.org falar sobre a necessidade de mudança na dieta alimentar necessária para fazer frente aos impactos climáticos: deixar de comer carne de gado é uma delas.

A mobilização durou duas horas e teve o propósito de sensibilizar as pessoas e apontar a necessidade de um esforço nacional idêntico ao que os Estados Unidos fizeram no pós II Guerra Mundial. Só que dessa vez para substituir a energia fóssil que move 80% da economia mundial por energia renovável, alterando de vez a matriz energética. Um caminho greening, isto é, crescimento eficiente e verde baseado numa economia de baixo carbono. Muito próprio de uma cultura que acredita na tecnologia como caminho para resolver os problemas.

Durante a manifestação, entrevistei Cristian Ortez, que soube do evento pela newsletter distribuída pelo escritório San Diego do Sierra Club aos seus mais de 12 mil afiliados. Em sua bike e vestido a caráter (luvas, capacete, garrafa dágua, mochila, óculos e roupa de ciclista), muito comum a todos os ciclitas de San Diego, Cristian trouxe à tona o discurso filosófico. Na entrevista para a rádio comunitária KNSJ 89.1 FM, o tom, aparentemente pessimista, expressa a visão crítica do individuo em seu meio social diante de um problema de escala global.

Sua fala aponta para o questionamento central que tem levado muitas pessoas a se sentirem desoladas. Afinal, como comenta Cristian, as ações individuais não produzem o impacto necessário para que seja possível observar mudanças em larga escala, pois elas acabam perdidas num contexto social e econômico muito maior, e por isso é dever das instituições agir no combate a Climate Change. No entanto, para que esse agir ocorra é preciso pressão social e política, que pode acabar não acontecendo porque as pessoas estão sofrendo de “apatia climática”, diria eu.

Climate Change é um problema híbrido: local e global, individual e institucional, singular e coletivo. Um fenômeno tão difícil de tangibilizar que acaba mesmo deixando a impressão de que o indivíduo diante das mudanças climáticas é um Dom Quixote de La Mancha em luta com os moinhos de vento.

Um curto bate bola com Cristian Ortez:

Blog Entreposto e KNSJ 89.1 FM – O que é Climate Change para você na sua vida diária? Qual é a mensagem do evento?

Cristian Ortez – Essas são perguntas duras. Eu acredito que Climate Change está acontecendo e que o clima está mudando mas não sei qual é a melhor maneira de abordar o assunto. Uma pergunta que faço a mim mesmo é como o assunto pode chegar às pessoas que tem outros temas mais urgentes como necessidade de comida e lugar para viver. Mobilizações como essas não chegam a essas pessoas somente aos formalmente bem educados e aos privilegiados.

Blog Entreposto e KNSJ 89.1 FM – Na sua opinião será que alterar as políticas não pode minimizar os impactos de Climate Change que vai atingir os pobres mais que os ricos como a seca, os problemas com solo na agricultura, água por exemplo?

Cristian Ortez – A indústria do agrobusiness é muito poderosa. Ninguém vai parar de comprar os vegetais produzidos. Ou a indústria não vai deixar de usar água do rio para a produção.

Blog Entreposto e KNSJ 89.1 FM – Então, para você, o caminho é as pessoas vincularem o que pensam com o que fazem, serem menos contraditórias?

Cristian Ortez – Não, não é isso o que quero dizer. É como eu disse anteriormente, não sei muito bem como abordar o problema. É muito difícil ir de bicicleta para o trabalho, por exemplo. Tudo é de uma escala muito grande, tudo o que se faz está sempre numa escala muito grande. Posso reciclar meu lixo mas se viajo de avião estou usando combustível fóssil que contribui para Climate Change. No nível pessoal, busco saber o que posso fazer, o que é significante. Mas, no âmbito geral, não faz diferença. As soluções devem vir de grandes instituições, do governo e das municipalidades que podem implementar ações em favor do ambiente.

Semanário Novembro 2012

O assunto internacional da semana é sem dúvida a reeleição de Barak Obama. Mas e a agenda ambiental do novo antigo presidente? Mais quatro anos de Obama na presidência dos Estados Unidos significam que continua em marcha o programa de transição para o uso de energia limpa e redução da dependência de uso de petróleo e carvão. Até 2035, 80% da eletricidade usada pelos americanos deve vir de fontes renováveis como energia dos ventos, do sol, da biomassa, da água e nuclear.

Quanto a petróleo e gás, a Casa Branca quer modernizar a infraestrutura dos oleodutos e aprimorar a exploração de gás natural em terra e em águas profundas. Padrões de emissão de gases de efeito estufa foram estabelecidos para carros e automotivos pesados como caminhões e ônibus. Os incentivos para a fabricação e a compra de carros elétricos continuam assim como o planejamento de corredores de abastecimento para caminhões movidos a gás natural.

Quando o assunto é mudança climática, o Governo Obama vai continuar com as seguintes diretrizes: monitorar as emissões de CO2 e reduzi-las pelo uso da energia limpa e investir no desenvolvimento de estratégias nacionais para proteger fontes de água potável, fauna e flora, além de investir nos estudos científicos sobre o impacto provocado por um clima extremo e pela elevação do nível da água do mar, buscando uma excelência na adaptabilidade.

Outras informações no site oficial da Casa Brasil que trata da política ambiental, no link http://www.whitehouse.gov/energy

E, no Brasil? Por aqui, o ineditismo da Pesquisa de Informações Básicas Municipais – MUNIC 2011, divulgado no dia 13 de novembro. Pela primeira vez o IBGE perguntou às prefeituras dos 5.565 municípios brasileiros se elas possuíam plano municipal de redução de risco ou algum programa ou ação de gerenciamento de riscos de deslizamento e recuperação ambiental de caráter preventivo.

Sudeste e Norte são as regiões que lideram quanto à existência de Plano Municipal de Redução de Risco e as regiões Sul e Sudeste as que lideram quando o assunto são ações ou programas preventivos de deslizamento e recuperação ambiental. Mais da metade dos municípios com mais de 500 mil habitantes têm plano de redução de risco e apenas 6,2% das prefeituras dos municípios menos populosos afirmaram ter plano de prevenção de risco. Seis vírgula dois por cento significam 344 cidades dentre as quase seis mil que existem no Brasil.

Segundo o relatório do IGBE, 32,6% dos municípios declaram realizar programas ou ações de gerenciamento de risco de deslizamento e recuperação ambiental de caráter preventivo. Esses 1.812 municípios (32,6% do total Brasil) realizam, em sua maioria, drenagem urbana e construção de redes e galerias de águas pluviais. Outras prioridades são a realização de obras de contenção, proteção, drenagem superficial ou profunda e remoção de moradias.

O relatório da MUNIC 2011 diz que um Plano de Redução de Riscos é um documento no qual são mapeados riscos ambientais, geológico-geotécnicos e construtivos, traçando-se objetivos, metas e ações para a prevenção e controle desses riscos. Já os programas ou ações de gerenciamento de deslizamento e recuperação ambiental preventiva são as intervenções isoladas de diversos tipos, como, por exemplo, drenagem urbana, recuperação de várzeas, renaturalização de rios e córregos, construção de muros de proteção e diques, drenagem e assoreamento, dentre outros.

A íntegra da pesquisa está disponível no site do IBGE, no link: www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/2011/default.shtm

Em Brasília, o assunto é a implantação da Parceria Público-Privada (PPP) para o sistema de coleta, tratamento e destinação final de resíduos sólidos.  Isto é, gestão do lixo. A proposta de PPP foi elaborada pela Companhia Paulista de Desenvolvimento, a partir de demanda do Governo do Distrito Federal, e prevê licitação para contrato na modalidade de concessão, com duração de 30 anos, podendo ser renovado por mais cinco. A proposta apresentada pelo GDF prevê a desativação do lixão da Estrutural em dois anos e a implantação de coleta mecanizada, além da construção de dois aterros sanitários no DF (um dos quais em Samambaia). O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) considera que a PPP exclui os catadores do processo da gestão do lixo e, por isso, protestaram fechando o lixão da estrutural (aterro a céu aberto da cidade) e comparecendo em peso à audiência pública do dia 12 de novembro no Museu da República. A PPP não é controversa somente entre os catadores, parlamentares e o Ministério Público também não veem com bons olhos que apenas uma única empresa seja “a dona do lixo” por 30 anos dentro do Distrito Federal.

Saiba como pensam os vários atores da PPP nos links abaixo:

Informação oficial sobre a PPP:

http://www.governo.df.gov.br/assessoria-de-comunicacao-social/noticias/item/2152-ppp-é-discutida-com-a-sociedade.html

Sobre a posição dos catadores:

http://www.mncr.org.br/box_2/blog-centro-oeste/paralisacao-dos-catadores-no-df-busca-derrotar-ppp

A posição dos políticos:

http://www.rollemberg.com.br/index_interno.php?mod=4810&so=Rollemberg-quer-que-%C3%B4nibus-transportem-bicicleta-como-bagagem.html

http://camaraempauta.com.br/portal/artigo/ver/id/3812/nome/

CLDF_quer_que_GDF_de_mais_tempo_para_discutir_PPP_do_Lixo

E a do Ministério Público do DF:

www.mpdft.gov.br/portal/index.php/imprensa-menu/noticias/5474-ministerio-publico-avalia-ppp-que-ira-gerir-os-servicos-de-coleta-de-lixo-do-df