Dia para celebrar: Keystone XL rejeitado …

Minha caixa de e-mail, hoje (6 de novembro), recebeu muitas mensagens de organizações ambientalistas comemorando a rejeição por parte do Pres. Barack Obama de permitir a construção do oleoduto para transporte de óleo cru do Canadá até o Golfo do México. Keystone XL ou Keystone Pipe se tornou símbolo do movimento ambientalista nos Estados Unidos e durante sete anos as manifestações se intensificaram saindo dos gabinetes e tomando as ruas em diversas ocasiões.

Ao rejeitar a solicitação do Canadá de transportar tar sands pelo centro (literalmente), de norte a sul dos Estados Unidos, o presidente norte-americano sinaliza que a COP 21 e o acordo de Paris para limitar as emissões globais de carbono é mesmo para valer!

A estratégia de comunicação das organizações ambientalistas para celebrar o evento foi a de convidar os assinantes e ativistas a assinar e enviar uma Thank you Note para o presidente agradecendo pela decisão que tomou. Umas fizeram isso em vídeo e outras fizeram em forma de mensagem com foto, como a do Sierra Club. Posto aqui o vídeo da Natural Resources Defense Council (NRDC). Todas as “Thank you Note” apareceram em minha caixa de e-mail em até 2 horas depois do anúncio oficial do Presidente à imprensa na Casa Branca.

A decisão de Obama coincide com a notícia de que o procurador de Nova Iorque está processando a Exxon Mobil por difundir informações distorcidas sobre climate change e seus efeitos para os consumidores e seus acionistas.

Também coincide com a mobilização de diversas organizações na Califórnia para manter a política de net metering que permite aos proprietários de painéis solares em sua casa ou empresa gerar energia e vender o excedente gerado para as companhias (grid). A política está ameaçada, conforme Relatório da Environment California Research & Policy Center, e a assembleia do governo do estado deve votar, até o final do ano, pela continuidade ou por uma mudança limitando as opções dos proprietários e aumentando o preço como querem as companhias de energia.

A transição para uma estrutura energética renovável e livre de combustíveis fósseis é mesmo uma briga de cachorro grande dentro dos Estados Unidos. A rejeição do Keystone XL vai trazer momento para a movimento em favor da energia limpa que está sendo convocada por Al Gore para o dia 13-14 de novembro: 24 Hours of Reality and Live Earth, reunindo música, conferências, encontros e mobilização pública.

Jon Stewart: Infoentretenimento e Climate Change

Hoje, quinta-feira, dia 6 de agosto 2015, foi o último programa de Jon Stewart à frente do The Daily Show, veiculado por Comedy Central. A matéria feita pela BBC dentro do estúdio ressaltou os motivos porque o nome de Stewart fica na história. Jon Stewart Last ShowQuando começou em 1999, vestiu a comédia e a sátira política com as roupas do jornalismo:  bancada, figura do âncora, reuniões de pauta, cenário, movimento de câmera, quadros fixos, entrevistados e correspondentes. Só que tudo era “fake news“, ou seja, um jornalismo de mentira – na verdade, um programa de sátira política.

O estilo tornou-se gênero. Stewart havia inaugurado o infoentretenimento. No Brasil, o gênero ganha notoriedade com o CQC, programa veiculado pela TV Bandeirantes, cujo âncora líder é Marcelo Tas, ícone de inovação em termos de programação televisiva, tendo criado, na década de 80, o repórter Ernesto Varela – “um repórter de mentira que faz perguntas para gente de verdade“.

Erneto Varela website

O CQC, na verdade, origina-se na Argentina e a TV Bandeirantes compra a marca do programa para veiculá-lo no Brasil a partir de 2008. A sátira política no Brasil dentro da televisão também conheceu outras histórias, como a da personagem desenvolvida por Chico Anísio chamada Salomé (uma senhora idosa que falava ao telefone), que, nos anos 80, criticava a ditadura militar brasileira pedindo a cabeça de João Batista, em analogia ao nome do presidente João Figueiredo.

Meu tributo a Jon Stewart é conhecer como Climate Change é tratado no The Daily Show. Resolvi fazer um levantamento e constituir um banco de dados. A primeira varredura utilizou o sistema de busca do próprio site. Essa varredura mostrou que Climate Change (Mudança Climática) e Global Warming (Aquecimento Global) foram ambos arquivados de maneira equivalente, inclusive com takes que se repetem em ambos os resultados num total aproximado de 70. O banco de dados ainda estar por terminar e já conta com 268 quadros que englobam desde clips do dia a entrevistas com personalidades. As personalidades que foram entrevistas mais de uma vez são Al Gore, Bill Clinton e Barack Obama.

À primeira vista, a sátira política sobre CC/WG abrange o âmbito doméstico dos Estados Unidos que domina os mais de 200 minutos até agora levantados. Stu, como ficou conhecido, também dedicou tempo à agenda global da política do clima, principalmente aos eventos relacionados às conferências das partes (COP), divulgação de relatório do IPCC, Climagate (vazamento de emails de cientistas do IPCC no Reino Unido) e o fracasso de Copenhagen, em 2009, em estabelecer avanços globais para o Protocolo de Kyoto. Assim que terminar o levantamento, escrevo um blogpost.