Jon Stewart: Infoentretenimento e Climate Change

Educação Política – O programa de Jon Stewart conquista uma audiência jovem nos Estados Unidos, que segundo as pesquisas, está na faixa etária de 18 a 49 anos, com tendência política de centro, centro esquerda e de esquerda. Em 1999, quando inicia no The Daily Show, a audiência girava em torno de 350 mil. Depois de 16 anos no ar, com programas quatro vezes por semana, com acesso direto via internet, o programa mantém uma constante em torno de 1,3 milhão de telespectadores. Pesquisas avulsas e comentaristas norte-americanos apontam que o programa faz o público jovem se interessar por política. O mesmo quadro se apresenta no Brasil com o CQC: audiência jovem e elevado índice de audiência.

Dando aulas no UniCEUB nessa época (1a década do século XXI) desenvolvi trabalhos de pesquisa e orientei trabalhos de final de curso. Os alunos Danielle Campos, Hadassa Karini, Liana Farias, Marcos Bretones, Rayssa Tomaz e Roberto Wagner, por exemplo, aplicaram questionários aos estudantes de Jornalismo (matutino e noturno) para saber sobre O Jovem e a Política e o Programa CQC, em 2009. CQC - Pesquisa UniCEUB 2009

Os resultados apontaram que os estudantes entrevistados (95%) conheciam o CQC – Custe o que Custar e que o consideravam um programa de entretenimento com informação política, que despertava o interesse do jovem pela política (67%) pois ajudava a compreender a política brasileira (24%) e aproximava a política das pessoas (52%).

Já naquela época o consumo de mídia por múltiplas fontes entre jovens já aparecia como tendência. Os entrevistados assistiam o CQC tanto pela TV como pela Internet (30%) e mais de 60% somente pela TV. Assim como The Daily Show, o CQC também vai ao ar por volta das 11 da noite, facilitando o consumo pela tela. Para os jovens entrevistados, os quadros mais populares eram CQC no Congresso e Proteste Já. A relação de consumo dos jovens com o programa podia ser estratificada como interessado (38%), consumidor (36%) e viciado (14%). Além da pesquisa, o trabalho de conclusão da então aluna Tatyusha Campbell, em 2009, também discute o infoentretenimento e compara os quadros políticos do CQC com os de outro programa que usa humor, o Pânico na TV. A monografia está disponível no repositório da universidade e pode ser lida aqui.

O anúncio do fim do show de Jon Stewart me fez comprar, em maio, o livro Angry Optimist – The life and times of Jon Stewart. A biografia escrita por Lisa Rogak nem de longe é um Perfil Jornalístico daqueles que a gente se dedica a fio para descobrir qual a banda que toca a alma do personagem. O livro de Lisa é um relato assim cronológico da vida de Stu, e muitas vezes uma compilação de citações sobre ele e sobre The Daily Show retiradas de fontes jornalísticas.

Por detrás do comediante, há um homem comprometido com a democracia e com os direitos civis, que luta por causas sociais liderando manifestações, e que se consolidou como uma voz liberal dentro dos Estados Unidos. Stewart também é um empresário da comunicação, que criou uma produtora e lançou no mercado programas de televisão de tanto sucesso como o seu (The Colbert Report), escreveu dois livros que se tornaram best seller (America (The Book) e Earth (The Book)) e dirigiu o filme, do qual também é o roteirista, sobre o jornalista iraniano acusado de espionagem, uma adaptação do livro de Maziar Bahari. Termina sua fase de comediante que se veste de jornalista com inúmeros prêmios, o último em 2015, tanto para si como para o programa. O que virá agora?

 

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