Cobertura Climática – minimanual para jornalistas

Ampliar a cobertura climática e incentivar estudantes de Jornalismo a conhecerem sobre o assunto e produzirem pautas são os objetivos do “Minimanual para cobertura jornalística de mudanças climáticas”, iniciativa de grupos de pesquisa de universidades públicas lá do Rio Grande do Sul, e lançado hoje (31 de agosto de 2020) em live pela página do Observatório do Clima no Facebook.

A live contou com a participação da jornalista Sonia Bridi que comentou ser este seu assunto favorito. Sonia afirmou que o tema da emergência climática “é definidor de nosso futuro” e que, por isso, como jornalista, entende ser responsabilidade da imprensa explicar o assunto “para que as pessoas tomem suas decisões”. Sonia é autora do prefácio do Minimanual e comentou que a publicação é uma maneira de as universidades com cursos de Jornalismo se envolverem mais de perto com a temática.

Além de Sonia Bridi, participaram da live Eloisa Beling Loose, uma das organizadoras do Minimanual, em conjunto com as pesquisadoras Márcia Amaral e Ilza Girardi, e os cientistas Andrea Santos e Alexandre Costa, ambos do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC). A professora Eloisa ressaltou que o projeto coletivo quer impactar a cobertura trazendo a pauta climática para o cotidiano. Para Eloisa, o minimanual facilita o conhecimento dos aspectos científicos por parte dos estudantes de Jornalismo, uma vez que mudanças climáticas é um tema complexo.

A professora Andréa Santos da Coppe/UFRJ começou sua fala lamentando que o Brasil esteja “virando chacota do mundo” depois de ser um protagonista de peso no cenário internacional de políticas para as mudanças climáticas. Andréa mencionou a recente pesquisa Earth Day 2020, que aponta que sete em cada 10 brasileiros acreditam que as alterações climáticas são tão grave quanto a pandemia da covid-19. Andréa também comentou que o desafio da cobertura climática é relacionar o assunto com o dia a  dia das pessoas, enfatizando que as soluções existem e que é preciso promover a transição para a economia de baixo carbono.

Convidado a fazer parte da live pelo mediador Cláudio Ângelo, que o viu na platéia virtual, o professor de Ciência Atmosférica Alexandre Costa enfatizou a necessidade de falar de “ciência como um ato de rebeldia” até porque o assunto mudanças climáticas causa “o comprometimento do suporte à vida”. O cientista Alexandre, que é blogueiro e youtuber, comentou também a necessidade de se pensar numa nova dieta alimentar, com base na agroecologia, e também em práticas de pecuária que sequestrem carbono ao invés de emitirem carbono como é a que se vê, de modo geral, no Brasil.

Andréa e Alexandre ressaltaram os perigos do aquecimento para a sobrevivência das espécies e da perspectiva de se chegar a 2030 com 1,5°C. O professor Alexandre lembrou do termo “impossível de sobreviver (unsurvivable storm)” com que o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) classificou o furacão Laura. Para Alexandre, o “tom das mensagens” salvou vidas, pois é de verdade um caos climático, uma emergência climática.

Jogo Aventura Climática: entrevista na rádio Movimento PT

Numa conversa descontraída com Isabel Prata da Livraria Mais e Vitor Machado da Rádio Movimento PT, falamos sobre os serviços da natureza sobre o clima e as questões das alterações climáticas. O jogo de tabuleiro Aventura Climática ganhou espaço para mostrar seus princípios e serviu de canal de comunicação para falar sobre clima e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Gravado em direto (ao vivo), a conversa pode ser ouvida e assistida entre 4:59 e 41:39 minutos do vídeo. Há boa música antes e depois. Para compreender um pouco sobre o jogo, escrevi uma sinopse que serviu de base para a conversa.

Sinopse: 

Aventura Climática® é um jogo de tabuleiro cooperativo em que o Peão e sua equipa devem manter o equilíbrio de seus carbonos durante sua aventura pela atmosfera.

A dinâmica do jogo tem como premissa:

  • A cooperação como instrumento para enfrentar desafios e encontrar soluções para as questões das alterações climáticas
  • O indivíduo como sujeito do problema e da solução para as questões das alterações climáticas, atuando individual e coletivamente
  • O efeito de estufa e a importância dos serviços da natureza de regulação do clima e produção de oxigênio

O jogo é constituído de um tripé:

  • Ciência do Clima – efeito de estufa, fonte e sumidouro de carbono, capacidade de suporte (concentração de carbono na atmosfera própria para a manutenção da vida)
  • Ética do Clima – cada um deve cuidar de absorver o que emite (responsabilidade moral e justiça distributiva), e necessidade de avaliação e decisão coletiva sobre manutenção da vida
  • Educação do Clima – Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e os parâmetros do Artigo 6 da Convenção do Clima

O Aventura Climática® é um jogo de cartas e as perguntas estão focadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O protótipo acadêmico conta com 42 cartas de perguntas e respostas sobre os conteúdos de nove ODS, o do clima que é o ODS #13 e outros 8 que se referem a água, energia, cidades, solo, consumo, e trabalho decente. As cartas podem ser adaptadas para atender a diferentes públicos e a diferentes conteúdos locais.

O referencial teórico do jogo Aventura Climática® está no âmbito da:

  • Humanidades, com o autor Johan Huizinga que, em 1933, aponta que o homem é lúdico e que o jogo é um elemento da cultura. Pois, para ele o divertimento é «uma categoria absolutamente primária da vida», uma vez que é «no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve».
  • Comunicação, com o autor Marshall McLuhan que, em 1964, aponta que o meio (veículo ou canal) de comunicação é o que vincula o homem ao homem. Pois «os jogos são meios de comunicação interpessoal […] e são «um tradutor de experiências, […] pois eles deslocam a experiência conhecida para novas formas, […]». Para o autor, o ato de jogar implica um interjogar, um toma-lá-dá-cá, um diálogo, ou seja, um momento para promover a conversação entre os participantes.

Aventura Climática®: um jogo de estratégia para manter o efeito de estufa em equilíbrio tem direitos de autor registrado em Lisboa, Portugal (Inspeção-Geral de Atividades Culturais da Direção de Serviços de Propriedade Intelectual – IGAC – DSPI).

E marca registra no Brasil, pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial.