Redução de risco ambiental pela primeira vez em pesquisa do IGBE

Pela primeira vez o IBGE perguntou às prefeituras dos 5.565 municípios brasileiros se elas possuíam plano municipal de redução de risco (prevenção de catástrofes) ou algum programa ou ação de gerenciamento de riscos de deslizamento e recuperação ambiental de caráter preventivo.

A resposta para a pergunta coloca os municípios com mais de 500 mil habitantes de um lado e os com menos de outro. Sudeste e Norte são as regiões que lideram quanto à existência de Plano Municipal de Redução de Risco e as regiões Sul e Sudeste as que lideram quando o assunto são ações ou programas preventivos de deslizamento e recuperação ambiental.

Mais da metade dos mais populosos têm plano de redução de risco e outros 21,1% estão em processo de elaboração. Quanto aos menos populosos, apenas 6,2% das prefeituras afirmaram ter plano de prevenção de risco e outras 10,1% disseram que estão em processo de elaboração. Seis vírgula dois significam 344 cidades brasileiras, apenas.

Segundo o relatório do IGBE, 1.812 municipios (32,6% ) declaram realizar programas ou ações de gerenciamento de risco de deslizamento e recuperação ambiental de caráter preventivo. Esses 1.812 municípios realizam, em sua maioria, drenagem urbana e construção de redes e galerias de águas pluviais. Outras prioridades são a realização de obras de contenção, proteção, drenagem superficial ou profunda e remoção de moradias.

O relatório da Pesquisa de Informações Básicas Municipais – MUNIC 2011, divulgado no dia 13 de novembro diz que um Plano de Redução de Riscos é um documento no qual se mapeiam riscos ambientais, geológico-geotécnicos e construtivos, traçando-se objetivos, metas e ações para a prevenção e controle desses riscos. Já os programas ou ações de gerenciamento de deslizamento e recuperação ambiental preventiva são as intervenções isoladas de diversos tipos, como, por exemplo, drenagem urbana, recuperação de várzeas, renaturalização de rios e córregos, construção de muros de proteção e diques, drenagem e assoreamento, dentre outros.

A íntegra da pesquisa está disponível no site do IBGE, no link: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/2011/default.shtm

Marina Silva alerta: Brasil precisa de Plano para ser país do século XXI

A ambientalista Marina Silva considera o Brasil uma potência ambiental, mas entende que é preciso construir um Plano, uma visão de país, que ultrapasse a barreira da política partidária para que isso se torne realidade. “O Brasil está para o século XXI como os Estados Unidos estiveram para o século XX”, disse Marina ao enfatizar que 11% da água doce do mundo e 22% da biodiversidade estão no Brasil e de que 45% da matriz energética do país já é de energia limpa. Para Marina Silva, o país está vivendo uma janela de oportunidade que vai durar 20 anos e que por isso é preciso investir em Educação e em inovação com novos produtos e novos materiais. “Estamos vivendo o bônus demográfico, depois a força de trabalho vai diminuir havendo mais crianças e mais idosos do que jovens”, lembrou.

Para Marina, independentemente do partido que esteja no poder, o Plano para o país deve buscar uma economia de baixo carbono e uma produção que reduza o uso de recursos naturais para fazer frente às mudanças climáticas que estão ocorrendo e que afetam a todos em todos os países. “Desenvolvimento sustentável é o novo paradigma do século XXI”, enfatizou Marina, argumentando que é necessário priorizar a agenda de investimentos do país, numa sutil crítica aos rumos do atual governo federal. Para ela, somente estabelecendo prioridades no âmbito da sustentabilidade será possível construir um novo modelo de desenvolvimento, que seja compatível com os desafios ambientais que a civilização humana precisa enfrentar. “Temos as respostas técnicas para os problemas; não temos a base ética que coloque a técnica a serviço da qualidade de vida dos seres humanos”, comentou a ex-senadora e candidata à Presidência da República em 2010.

Concluindo a palestra de mais de uma hora em que falou para professores e estudantes na abertura do X Congresso Científico do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), nesta terça-feira (2 de outubro de 2012), Marina Silva enfatizou que as respostas para os problemas atuais são múltiplas e que a decisão de seguir um caminho mais sustentável passa pela mudança de paradigma em que se substitua a ética de circunstância, aquela em que se faz coro com outros, por uma ética da sustentabilidade em que as decisões sejam orientadas para o ser e não para o fazer. “É preciso resignificar a nossa existência, nos perguntando o que queremos ser e não o que queremos ter”, disse Marina, lembrando que a limitação (falta de recursos para todos) é a perda da liberdade.

Matéria jornalística produzida para a Agência de Notícias UniCEUB. http://www.agenciadenoticias.uniceub.br/search/label/Sustentabilidade