Paris Conference 2015 (iii)

Abertura dos trabalhos

Hoje foi o icebreak da Conferência. Segunda-feira, dia 6 de julho. Mais de 500 participantes estavam presentes à sede da Unesco em Paris para receber material, participar dos talks e do coquetel (canapés e bebidas).  foto blogAo total são 1.800 cientistas confirmados para apresentar trabalhos em forma de pôster, conferências, sessões ou talks.

A comemoração geral da organização foi por conta da onda de calor com previsão de abrandar essa semana em comparação à passada e porque todos os patrocinadores e apoiadores consideram um sucesso o volume de trabalhos e a confirmação de mais de 2.200 inscritos para os quatro dias da Conferência.

Nos talks de abertura não faltaram boas-vindas e discursos políticos, um deles enfatizando que a agenda de Climate Change deve se alinhar a outras agendas como a iniquidade pois não é possível ter um mundo em que 1% das 7 bilhões de pessoas detém a riqueza correspondente a 50% da riqueza mundial. Um dos palestrantes chegou a enfatizar que o Não como resposta no referendo da Grécia é um sinal de que mudanças são necessárias.

Quanto à agenda específica para Climate Change, o palestrante Haaldor  Thorjeirsson (foto/crédito: autora blogpost), do secretariado da Convenção-Quadro (UFFCCC) enfatizou que a agenda pelos próximos 20 anos será dominada por dois temas: minimizar riscos e  gerir o remanescente do carbon budget. Outros tópicos abordados foram o nexo água e alimento e a incorporação dos países do Sul nos estudos sobre oceanos e correntes marítimas.

 

Analogias e tangibilidade para Climate Change

A semana do Dia Internacional do Meio Ambiente terminou e eu quero registrar pelo menos duas analogias que ajudam a tornar tangível as questões que envolvem Alterações Climáticas. Essa é a minha contribuição para o dia 5 de junho, instituído pelas Nações Unidas em 1972 com o objetivo de sensibilizar e de promover a conscientização sobre as questões ambientais. As analogias são parte de um banco de dados sobre como as pessoas e instituições explicam Climate Change e o que elas ressaltam como conceito central.

O cientista brasileiro Tasso Azevedo associa Climate Change e a temperatura média da superfície da Terra com a febre do corpo humano. Ele utiliza essa analogia em suas palestras. O ser humano com febre tem elevação da temperatura corporal, o que pode provocar choque e desfalecimento quando está muito alta. Em seu blog, Tasso faz essa analogia numa postagem de 11 de outubro de 2013.

É preciso reduzir drasticamente as Emissões de gases de efeito estufa, sobre pena de chegarmos ao fim do século com aumento médio de temperatura do planeta em até 4,8°C. Pode não parecer muito, mas, considerando que a temperatura média da superfície terrestre é de cerca de 14°C, um aumento de “apenas” 2°C é o equivalente a 15% mais. Proporcionalmente, corresponderia a um aumento de 5°C no corpo humano. Uma febre bem acima de 40 graus“.

Tasso Azevedo também usa a analogia da febre na mediação que fez para o projeto da CPFL Cultura e Planeta Sustentável. O projeto tem o nome de Mudanças Climáticas: rumo a um novo acordo global e foi veiculado em 2014 pela TV Cultura. A palestra de Tasso tem 53 minutos. Ele usa a analogia da febre do corpo humano nos 15′ e 30”, dizendo que a temperatura média da superfície da Terra é 14 a 15oC e que a do ser humano é 36 a 37oC. Como a temperatura da Terra já aumentou 1 Grau, o Planeta está com febre. 

 

 

A outra analogia está na campanha da empresa norte-americana de sorvete Ben&Jerry’s que associa derretimento de sorvete com derretimento de geleiras e o objetivo de 2oC como teto para a elevação da temperatura média à superfície da Terra. A campanha recebeu críticas pois produtos de lacticínios geram metano, um dos gases que provoca mudança climática ainda que nada comparado com o dióxido de carbono, e também por conta do movimento contra alimento de origem animal.

O esforço publicitário de associar sorvete e geleira e derretimento e o slogan – se derrete, se arruína – tem como chão uma política de economia de baixo carbono em 2020 para a empresa nos Estados Unidos. O vídeo circula no YouTube desde o ano passado e está disponível no site da empresa, desde a campanha da Avaaz e a Marcha pelo Clima, em setembro de 2014, por ocasião da UN Summit com chefes de Estado em Nova Iorque.